Jovem sobrevive a ataque de tubarão no Recife e recebe alta após meses de tratamento intensivo

Uma jovem de 18 anos, que teve a perna arrancada em um ataque de tubarão na praia de Boa Viagem, no Recife, recebeu alta hospitalar após semanas de internação, marcando um desfecho que reacende o debate sobre a segurança nas praias da região metropolitana. Durante o período em que esteve na unidade, ela chegou a ser transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), passou por dois procedimentos cirúrgicos e realizou sessões de reabilitação física, conforme apurado pelo portal Frances News.

O ataque ocorreu em uma área conhecida pelo histórico de incidentes com tubarões, especialmente nas proximidades do arquipélago de Fernando de Noronha e ao longo do litoral sul do Recife. A vítima, cujo nome não foi divulgado pela família, estava acompanhada de amigos quando foi surpreendida pelo animal. O resgate foi realizado por salva-vidas e banhistas, que prestaram os primeiros socorros até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Tratamento intensivo e reabilitação

Após o ataque, a jovem foi encaminhada ao Hospital da Restauração, referência em traumas na capital pernambucana. Ela passou por duas cirurgias: a primeira para amputação do membro inferior direito, e a segunda para desbridamento e fechamento do coto. Durante a internação, a paciente apresentou instabilidade hemodinâmica, o que motivou a transferência para a UTI, onde permaneceu por 12 dias. A equipe médica destacou a gravidade do ferimento, com perda significativa de tecido muscular e ósseo, além do risco de infecção por bactérias marinhas.

O processo de reabilitação incluiu fisioterapia motora e suporte psicológico, essenciais para a adaptação à prótese e ao trauma vivenciado. A alta foi concedida após a confirmação de que a jovem não apresentava mais sinais de infecção e conseguia realizar atividades básicas com auxílio de muletas. A família agradeceu o apoio recebido e pediu privacidade para a recuperação em casa.

Panorama político e segurança nas praias

O caso reacendeu a discussão sobre a falta de medidas efetivas para prevenir ataques de tubarão no litoral pernambucano. Dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) indicam que, desde 1992, foram registrados mais de 60 ataques no estado, com 24 mortes. A praia de Boa Viagem, onde ocorreu o incidente, é uma das áreas de maior risco, devido à presença de canais de navegação e à proximidade com o estuário do Rio Capibaribe, que atrai espécies como o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata.

Especialistas apontam que a instalação de redes de proteção, como as utilizadas em praias da Austrália e da África do Sul, poderia reduzir significativamente os riscos. No entanto, a Prefeitura do Recife e o Governo de Pernambuco ainda não implementaram essas barreiras, alegando custos elevados e impactos ambientais. A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do estado informou que estuda alternativas, como o monitoramento por drones e a sinalização de áreas de risco, mas sem previsão de implantação.

Organizações de defesa dos direitos dos banhistas, como a Associação de Moradores de Boa Viagem, cobram ações concretas. Em nota, a entidade afirmou que “a vida das pessoas não pode ficar refém de promessas e estudos intermináveis”. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou um inquérito civil para investigar a omissão do poder público na prevenção de ataques, e deve convocar audiências públicas nos próximos meses.

Enquanto isso, a jovem sobrevivente inicia uma nova fase de adaptação, com o apoio de familiares e de uma rede de solidariedade que arrecadou fundos para a compra de uma prótese moderna. O caso serve como alerta para a necessidade de políticas públicas urgentes que conciliem a preservação ambiental com a segurança dos frequentadores das praias do Recife.

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