O Tribunal do Júri de São Paulo absolveu, nesta quarta-feira (12), os ex-policiais militares Adriano Campos e Gilberto Rodrigues, acusados de participação na morte do adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, assassinado em junho de 2020 na Zona Sul da capital. O julgamento, realizado no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste, durou dois dias e terminou com a decisão do Conselho de Sentença pela inocência dos réus.

Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), os dois ex-PMs teriam agido como milicianos ao sequestrar, torturar e executar o adolescente após suspeitarem que ele teria participado de um furto na região de Americanópolis. As investigações apontavam que Guilherme foi morto com dois tiros, um na boca e outro na cabeça, em 14 de junho de 2020. O corpo foi encontrado posteriormente em Diadema, na Grande São Paulo.

Provas e argumentos no julgamento

Durante o julgamento, que começou na manhã de terça-feira (11), a Promotoria defendeu a condenação dos acusados com base em depoimentos, imagens de câmeras de segurança e demais provas reunidas ao longo da investigação. As gravações registraram os últimos momentos em que Guilherme foi visto com vida, mostrando o adolescente na companhia de Adriano Campos pouco antes do desaparecimento.

As defesas de Adriano e Gilberto, por sua vez, negaram qualquer envolvimento dos réus no crime e argumentaram que não havia elementos suficientes para comprovar a autoria do assassinato. Após a votação dos quesitos, o Conselho de Sentença decidiu pela absolvição dos dois acusados.

Repercussão e histórico do caso

O caso ganhou repercussão em 2020 após o desaparecimento de Guilherme. As imagens de câmeras de segurança foram fundamentais para as investigações, que apontaram Adriano como uma das últimas pessoas vistas com o jovem. O processo teve desdobramentos ao longo dos anos: Adriano chegou a ser absolvido em um julgamento realizado em 2021, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou o resultado e determinou a realização de um novo júri. Gilberto, que estava foragido à época, não havia sido julgado junto com o ex-sargento.

Com a decisão desta quarta-feira, os dois ex-policiais foram absolvidos da acusação de homicídio triplamente qualificado pela morte de Guilherme Guedes. O Ministério Público ainda poderá analisar a apresentação de recurso contra o resultado. O caso reacende o debate sobre a atuação de milícias e a violência policial contra jovens em periferias urbanas, tema que tem mobilizado organizações de direitos humanos e movimentos sociais em todo o país.

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