Justiça de Alagoas mantém prisão preventiva de influenciador PTK, investigado por organização criminosa

O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) decidiu manter a prisão preventiva do influenciador digital PTK, investigado por integrar organização criminosa voltada a lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. A decisão, proferida pelo desembargador José Cícero Alves da Silva, negou liminar em habeas corpus impetrado pela defesa, sob o argumento de que não há, neste momento, ilegalidade evidente na detenção. O influenciador, que também é pré-candidato a vereador pelo MDB, foi preso em junho de 2025 durante a operação “Conexão Alagoas”, deflagrada pela Polícia Civil em parceria com o Ministério Público Estadual (MPE/AL).

A investigação aponta que PTK, cujo nome real é Paulo Thiago K. de Oliveira, atuava como um dos líderes de um esquema que movimentou mais de R$ 50 milhões nos últimos dois anos, utilizando empresas de fachada e contas bancárias de terceiros para ocultar a origem ilícita dos recursos. De acordo com o MPE/AL, o grupo criminoso teria ligações com facções do Sudeste e utilizava a influência digital do suspeito para recrutar jovens e promover o tráfico em bairros da capital alagoana. A prisão preventiva foi decretada pela 17ª Vara Criminal de Maceió, que considerou a necessidade de garantir a ordem pública e a instrução processual.

Panorama político e jurídico

A manutenção da prisão de PTK ocorre em um contexto de intensificação de operações contra organizações criminosas em Alagoas, especialmente aquelas que misturam atividades ilícitas com influência digital e política. O influenciador, que se lançou pré-candidato a vereador pelo MDB em 2024, vinha construindo uma base de seguidores nas redes sociais, com discursos de combate à violência e defesa de direitos sociais. A defesa argumentou que a prisão seria ilegal por falta de fundamentação e que o réu não oferecia risco à sociedade, mas o desembargador entendeu que os elementos apresentados pela acusação — como mensagens interceptadas, quebras de sigilo bancário e depoimentos de testemunhas — justificam a medida extrema.

O caso ganhou repercussão nacional por envolver um pré-candidato a cargo eletivo e levanta debates sobre a infiltração do crime organizado em campanhas eleitorais. Em nota, o MPE/AL afirmou que a investigação continua e que novas fases da operação podem ocorrer nos próximos meses. A defesa de PTK informou que recorrerá ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter a decisão. Enquanto isso, o influenciador permanece detido no sistema prisional alagoano, aguardando o julgamento de mérito do habeas corpus.

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