Justiça de SP nega habeas corpus a irmã acusada de participação no assassinato de comerciante em Praia Grande

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou habeas corpus a Marcelly Peretto, acusada de envolvimento no assassinato do irmão Igor Peretto, ocorrido em 31 de agosto de 2024, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. A defesa de Marcelly argumentava que o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) teria perdido o prazo para apresentar testemunhas e pedir diligências antes do júri, o que configuraria constrangimento ilegal. No entanto, o relator e desembargador Geraldo Wohlers manteve a validade da manifestação do MP-SP, afirmando que a intimação eletrônica só é considerada realizada quando a parte consulta o sistema, e que a promotoria respondeu dentro do prazo. O julgamento popular de Marcelly está marcado para 26 de novembro de 2026.

O crime ocorreu no apartamento de Marcelly Peretto, onde estavam a vítima, a irmã e Mário Vitorino (cunhado). Rafaela Costa (viúva) chegou com Marcelly ao local, mas o deixou 13 segundos antes do marido chegar com o suspeito pelo assassinato. Segundo depoimentos do trio e de seus advogados, Rafaela tinha um caso com Mário, e o advogado de Marcelly ainda afirmou que a cliente e Rafaela tiveram um envolvimento amoroso no local antes da chegada de Igor e Mario. O MP-SP denunciou Marcelly, Rafaela e Mário por premeditarem o crime, alegando que a vítima era vista como um “empecilho no triângulo amoroso” formado entre eles.

Detalhes do crime e da denúncia

Igor Peretto foi morto a facadas e, segundo laudo necroscópico obtido pelo g1, teria ficado tetraplégico se tivesse sobrevivido. Marcelly foi denunciada e pronunciada por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A defesa de Marcelly impetrou habeas corpus sob o argumento de que ela “sofre constrangimento ilegal”, mas o TJ-SP não reconheceu nenhuma ilegalidade no andamento do caso. O g1 entrou em contato com a defesa de Marcelly, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.

Panorama político e judicial

O caso ganhou repercussão no litoral paulista e levanta debates sobre a atuação do sistema de Justiça em crimes passionais e de grande comoção social. A decisão do TJ-SP de negar o habeas corpus reforça a tese de que o MP-SP agiu dentro dos prazos legais, mantendo o andamento do processo. O julgamento popular, marcado para 2026, será um dos momentos-chave para a definição da responsabilidade dos acusados. A complexidade do triângulo amoroso e a premeditação apontada pelo MP-SP tornam o caso emblemático para a discussão sobre violência doméstica e crimes de gênero no estado.

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