A Justiça da Bahia decretou, neste sábado (18), a prisão preventiva do turista argentino Sebastian Fernando Ayala, denunciado por injúria racial em um restaurante de Morro de São Paulo, no baixo sul do estado. O suspeito, que já retornou a Buenos Aires horas após o crime, é considerado foragido. O caso ocorreu na quarta-feira (15), durante a semifinal da Copa do Mundo, e gerou ampla repercussão por envolver um turista estrangeiro em um dos destinos turísticos mais procurados do Brasil.
Na decisão, o juiz de Direito plantonista Marcelo Lagrota classificou o ato como “violação à dignidade da pessoa humana” e destacou que “a utilização do termo ‘brincadeira’ para mascarar o preconceito racial é um dos artifícios mais perversos do racismo estrutural, pois tenta esvaziar a gravidade de atos que geram profunda repulsa social”. A determinação judicial foi tomada após a Polícia Civil apresentar as provas colhidas, incluindo imagens de câmeras de segurança e testemunhos.
O crime ocorreu na quarta-feira (15), quando Sebastian Fernando Ayala estava em um restaurante de Morro de São Paulo assistindo à partida. Segundo a Delegacia de Cairu, responsável pela investigação, a vítima é um funcionário do estabelecimento que estava de folga. O momento foi filmado por outro funcionário, que percebeu os gestos racistas enquanto registrava a comemoração dos argentinos pela vitória. A polícia informou que o suspeito chegou ao Brasil em 10 de julho e seguiu direto para o destino turístico, com previsão de retorno a Buenos Aires apenas no domingo (19). No entanto, ele antecipou a viagem para a noite de quarta-feira.
Imagens das câmeras de segurança do Atracadouro Bom Jardim mostram o suspeito saindo de Morro de São Paulo por volta das 21h. Outras gravações o flagraram passando pelo ferry-boat às 23h e caminhando no aeroporto de Salvador na madrugada de quinta-feira, às 3h40. O g1 tenta contato com o investigado, mas até o momento não obteve resposta.
O caso ganhou destaque nacional e reacendeu o debate sobre racismo em áreas turísticas, especialmente na Bahia, estado com forte presença de cultura afro-brasileira e que já registrou outros episódios de discriminação racial. Em julho, um influenciador baiano relatou injúria racial em um prédio e recebeu apoio da cantora Ivete Sangalo. Também neste mês, estudantes denunciaram mensagens racistas em um mural de universidade, e uma mulher foi presa suspeita de racismo religioso após pichar um terreiro de Candomblé. A sequência de casos evidencia a persistência do racismo estrutural no país, mesmo em contextos de lazer e convivência social.
A Polícia Civil segue investigando o caso e busca informações sobre a localização de Sebastian Fernando Ayala. A vítima, que não teve o nome divulgado, recebeu apoio de colegas e da comunidade local. O delegado Thiago Campos, responsável pela Delegacia de Cairu, afirmou que as investigações continuam e que a Justiça tomará as medidas cabíveis para responsabilizar o suspeito, mesmo estando fora do Brasil.
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