A Justiça do Rio de Janeiro, em uma decisão que reverberou intensamente no cenário político e jurídico do estado esta semana, determinou o trancamento e o consequente arquivamento do inquérito policial que investigava o vereador **Salvino Oliveira Barbosa** (PSD). A medida, proferida pelo juiz **Renan de Freitas Ongaratto**, da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), não apenas encerra as diligências contra o parlamentar, ex-secretário municipal da Juventude na gestão do então prefeito **Eduardo Paes** (PSD), mas também lança duras críticas à metodologia de investigação da Polícia Civil, expondo fragilidades que impactam a credibilidade das instituições e o panorama político fluminense.
A controvérsia em torno de **Salvino Oliveira Barbosa** ganhou destaque nacional quando o vereador foi detido no dia 11 de março, sob a acusação da Polícia Civil de ter ligações com o **Comando Vermelho (CV)**, a principal organização criminosa atuante no estado. A prisão, que gerou grande repercussão, foi rapidamente revertida por uma decisão judicial que, apenas dois dias depois, ordenou a soltura do parlamentar, levantando as primeiras dúvidas sobre a solidez das evidências apresentadas pela investigação, conforme noticiado pela Agência Brasil.
O episódio desencadeou uma forte reação do então prefeito **Eduardo Paes**, que publicamente criticou a ação policial e denunciou o que classificou como perseguição política. O clima de tensão se intensificou quando, uma semana após a prisão de **Salvino**, **Paes** renunciou ao cargo de prefeito para se lançar como pré-candidato ao governo do estado nas eleições de outubro, um movimento que sublinhou a polarização e as disputas de poder em curso no Rio de Janeiro. **Salvino Oliveira Barbosa**, eleito em 2024, cumpre seu primeiro mandato como vereador, tendo deixado a secretaria municipal no mesmo ano.
Críticas à Investigação e o Cenário de Perseguição Política
Na fundamentação de sua decisão, o juiz **Renan de Freitas Ongaratto** foi explícito ao criticar o trabalho investigativo da Polícia Civil. O magistrado apontou que a principal evidência utilizada para sustentar a investigação contra **Salvino** baseava-se unicamente na citação do nome do vereador por terceiros em uma conversa de WhatsApp. Um dos interlocutores da referida conversa, datada de 25 de março de 2025, era **Edgar Alves de Andrade**, conhecido como **Doca**, apontado como líder do **Comando Vermelho**. A suposta autorização para que o vereador “trabalhasse” na **Comunidade da Gardênia Azul** foi considerada insuficiente e frágil para justificar a continuidade do inquérito, levando ao seu trancamento e arquivamento.
Este desfecho se insere em um contexto político já efervescente e marcado por turbulências no Rio de Janeiro. A acusação de perseguição política, levantada por figuras como **Eduardo Paes**, ganha peso diante das falhas apontadas pela própria Justiça na condução de investigações de alta sensibilidade. O estado tem sido palco de intensas disputas eleitorais e escândalos, como a condenação do ex-governador **Cláudio Castro**, que o tornou inelegível até 2030, e sua subsequente renúncia, conforme noticiado anteriormente pela Agência Brasil. Tais eventos contribuem para um ambiente de desconfiança e questionamento sobre a lisura dos processos políticos e judiciais, onde a linha entre a investigação legítima e a instrumentalização política se torna cada vez mais tênue. A decisão judicial, portanto, não apenas inocenta o vereador, mas também serve como um alerta para a necessidade de rigor e imparcialidade nas apurações que envolvem figuras públicas, especialmente em períodos pré-eleitorais.
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