A Justiça italiana negou nesta quinta-feira (12) o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, em uma decisão que impõe um novo revés ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e amplia o repertório de críticas à corte em um momento de acentuado desgaste de sua imagem tanto no Brasil quanto no exterior. A Corte de Apelação de Roma entendeu que o STF não agiu com a imparcialidade necessária no caso, citando expressamente a dupla função de Moraes como relator dos processos contra Zambelli e, ao mesmo tempo, vítima de supostos ataques atribuídos à parlamentar.
A decisão italiana, divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, representa mais um capítulo na crescente tensão entre o sistema judiciário brasileiro e as cortes europeias. O tribunal italiano destacou que a atuação de Moraes como relator e ofendido nos mesmos processos compromete a garantia de um julgamento justo, um princípio basilar do direito internacional. A negativa da extradição ocorre em meio a um cenário de críticas recorrentes ao STF por parte de setores políticos e jurídicos, que apontam suposto ativismo judicial e falta de isenção em casos de alta repercussão.
Impacto político e jurídico da decisão
A recusa italiana em extraditar Zambelli não apenas fortalece a defesa da ex-deputada, que responde a investigações no Brasil por supostos atos antidemocráticos, mas também alimenta o discurso de parlamentares e juristas que questionam a credibilidade do STF. A decisão foi recebida com entusiasmo por aliados de Zambelli, que veem na manifestação da Justiça italiana uma validação de suas críticas ao sistema judicial brasileiro. Por outro lado, juristas ouvidos pelo portal avaliam que o precedente pode dificultar futuros pedidos de cooperação internacional do Brasil em casos semelhantes.
O episódio ocorre em um momento de intenso debate sobre os limites do poder judiciário no Brasil, com o STF sendo alvo de projetos de lei no Congresso que buscam restringir decisões monocráticas e a atuação de ministros em casos que os envolvam pessoalmente. A decisão italiana, ao citar nominalmente Alexandre de Moraes, adiciona pressão externa a esse movimento, reforçando a percepção de que a imagem da corte brasileira está arranhada no cenário global.
Reações e desdobramentos
Até o fechamento desta edição, o STF não havia se manifestado oficialmente sobre a decisão da Justiça italiana. Nos bastidores, ministros da corte avaliam que a negativa pode ser contestada por vias diplomáticas, mas reconhecem que o precedente é desfavorável. A defesa de Zambelli, por sua vez, já anunciou que solicitará o arquivamento definitivo dos processos de extradição no Brasil, com base na decisão estrangeira. O caso reacende o debate sobre a soberania judicial e os limites da cooperação internacional, em um momento em que o Brasil busca fortalecer laços com a Europa.
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