Justiça mantém prisão de pai e madrasta suspeitos de torturar e matar menino de 3 anos no Tocantins

A Justiça do Tocantins decidiu manter a prisão preventiva de Igor Gustavo Veloso de Sousa e de sua companheira, Kathellen Moreira, ambos suspeitos de torturar e matar o menino Gustavo Veloso Feitosa, de apenas 3 anos, filho de Igor. O caso, que chocou a cidade de Palmas, ganhou novos contornos com a revelação de que a mãe da criança, Sabrina da Silva Feitosa, já havia registrado queixas de agressões e ameaças contra o ex-companheiro desde 2024, incluindo um vídeo em que o menino chorava e dizia que não queria ir para a casa do pai porque ele batia nele.

O corpo de Gustavo foi encontrado na residência do pai na segunda-feira (3), após a criança passar o fim de semana no local. A morte, inicialmente tratada como acidental, passou a ser investigada como homicídio qualificado após indícios de tortura. A mãe, que vivia uma disputa judicial contra Igor por pensão alimentícia e possuía medidas restritivas contra ele, apresentou à polícia registros de que o filho voltava machucado e dopado das visitas ao pai desde o ano anterior.

Histórico de violência e ameaças

As investigações revelaram um histórico de violência que antecedeu o crime. Em outubro de 2023, quando Gustavo tinha apenas oito meses, Igor Gustavo foi afastado da presidência do Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO), após ser denunciado por Sabrina Feitosa por violência doméstica e ameaças de morte. Em um áudio anexado ao boletim de ocorrência, o advogado intimidava a ex-companheira com frases como: “Sua sorte é que você tava com o menino no colo e tinha muita gente passando na rua […] Mas, se houver uma próxima vez, você não escapa. Eu te meto uma bala na cara”. A Justiça chegou a conceder medida protetiva a Sabrina após o portão da casa dela ser arrombado.

Defesas apresentam versões distintas

A defesa de Igor Gustavo informou que o cliente se colocou à disposição das autoridades assim que soube do pedido de prisão, em uma entrega voluntária pré-combinada na residência em que se encontrava. Os advogados destacaram a postura colaborativa e afirmaram que não comentarão detalhes do processo devido ao sigilo das investigações. Já a defesa de Kathellen Moreira manifestou estarrecimento com a decretação da prisão preventiva, argumentando que a decisão não considerou o fato de ela amamentar uma bebê de apenas cinco meses. A equipe jurídica anunciou que acionará o Poder Judiciário para requerer a substituição da prisão por medidas cautelares ou prisão domiciliar.

Panorama do caso e repercussão

O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a violência doméstica e a proteção infantil no Brasil. A morte de Gustavo Veloso expõe falhas nos mecanismos de proteção a crianças em situação de vulnerabilidade, especialmente quando há histórico de agressões registrado. Organizações de defesa dos direitos da criança e da mulher cobram agilidade nas investigações e a aplicação rigorosa da Lei Maria da Penha e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A polícia segue ouvindo testemunhas e analisando laudos periciais para esclarecer as circunstâncias exatas da morte do menino, enquanto a Justiça mantém os suspeitos presos para garantir a continuidade das investigações.

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