A segurança pública em Alagoas foi novamente posta à prova com a recente prisão de um suspeito em Dois Riachos, acusado de envolvimento na brutal execução de um homem que teria sido julgado e condenado por um autodenominado “tribunal do crime”. A vítima foi alvejada com cerca de 10 tiros, uma sentença sumária imposta após ser acusada de cometer furtos, conforme noticiado pelo portal francesnews.com.br em 26 de abril de 2026. Este episódio não apenas choca pela violência, mas também sublinha a alarmante expansão de sistemas de justiça paralelos, que desafiam abertamente a autoridade do Estado e impõem um regime de terror em comunidades.
O caso de Dois Riachos é um espelho da complexa e perigosa realidade enfrentada por diversas localidades brasileiras, onde a ausência ou a percepção de ineficácia do poder público abre espaço para que organizações criminosas estabeleçam suas próprias regras. A dinâmica do “tribunal do crime” opera com base em códigos internos, onde acusações, julgamentos e execuções são conduzidos à margem da lei, muitas vezes com requintes de crueldade para servir de exemplo e manter o controle territorial. A vítima, neste cenário, não teve direito a defesa legal, sendo sumariamente condenada e executada por supostos furtos, uma infração que, na justiça oficial, teria um rito processual completamente diferente.
O Panorama da Justiça Paralela no Brasil
A proliferação de “tribunais do crime” representa um dos maiores desafios para a soberania do Estado democrático de direito no Brasil. Essas estruturas, geralmente ligadas a facções criminosas, não apenas controlam o tráfico de drogas e armas, mas também regulam a vida social em comunidades inteiras, decidindo sobre disputas, aplicando punições e, como neste caso em Dois Riachos, sentenciando à morte. A atuação dessas facções cria um ambiente de medo e desconfiança, minando a fé da população nas instituições de segurança e justiça e forçando os moradores a se submeterem a um poder paralelo.
Especialistas em segurança pública alertam que a resposta a esses fenômenos exige mais do que apenas a prisão de indivíduos. É fundamental uma estratégia integrada que combine inteligência policial, presença estatal efetiva em áreas vulneráveis, investimentos em políticas sociais e um sistema judiciário ágil e transparente. A impunidade, seja pela lentidão dos processos ou pela dificuldade de investigação em áreas dominadas pelo crime organizado, alimenta o ciclo vicioso da violência e fortalece a legitimidade dos “tribunais do crime” aos olhos de parte da população.
O incidente em Dois Riachos serve como um lembrete sombrio da urgência em fortalecer as instituições democráticas e garantir que a justiça seja prerrogativa exclusiva do Estado. A sociedade e as autoridades precisam se unir para combater essa chaga que corrói a segurança e a dignidade humana, assegurando que nenhum cidadão seja submetido a julgamentos sumários e execuções brutais. Casos como o do Homem condenado a 33 anos pelo feminicídio em Maceió, onde a justiça oficial atuou, contrastam com a barbárie imposta pelos tribunais paralelos, reforçando a importância da lei e da ordem.
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