A Justiça prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária do advogado Wlandre Gomes Leal, suspeito de matar a companheira Tainá Yarina dos Santos Cardoso, de 29 anos, em Santarém, no oeste do Pará. A decisão é do juiz Sidney Pomar Falcão, da Vara de Violência Doméstica e Familiar de Santarém, e atende a pedido da Polícia Civil para dar mais tempo às investigações.
Na mesma decisão, o magistrado cobrou da Polícia Científica o envio rápido dos laudos periciais para auxiliar na conclusão do inquérito policial. Wlandre está preso em Belém desde o dia 24 de julho. Por ser advogado, ele tem direito profissional de ficar custodiado em uma sala de Estado-Maior, um alojamento especial em unidade militar sem grades, em vez de uma cela comum.
A defesa de Wlandre informou que só vai se manifestar sobre o caso depois que as investigações forem concluídas. O advogado foi preso em flagrante na noite de 19 de julho, no apartamento onde morava com a companheira, em um condomínio no bairro Aparecida. Tainá foi encontrada morta com um golpe de faca no peito.
Versão de suicídio é questionada pela polícia
Inicialmente, Wlandre alegou à polícia que a mulher teria se matado após uma briga do casal. No entanto, a equipe do delegado Kleidson Castro encontrou indícios no local que desmentem a versão de suicídio. Entre os pontos levantados estão o intervalo considerado longo entre a morte e o acionamento do socorro médico, o estado de secagem do sangue no apartamento, que não batia com o tempo de morte alegado, e a posição e gravidade do corte no peito da vítima, que levantaram suspeitas de assassinato.
Diante das contradições e das provas físicas colhidas pela perícia, o flagrante foi convertido em prisão temporária por feminicídio. A polícia também investiga relatos de agressões anteriores sofridas por Tainá.
Suspensão na OAB e próximos passos
Logo após o crime, no dia 20 de julho, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) suspendeu temporariamente o direito de Wlandre exercer a advocacia, com validade inicial de 30 dias. O suspeito continua negando o crime e afirma que a companheira tirou a própria vida. Os novos laudos solicitados pela Justiça devem esclarecer a dinâmica da morte de Tainá nas próximas semanas.
O caso ganha contornos de violência doméstica e feminicídio, um problema que atinge milhares de mulheres no Brasil. A prorrogação da prisão temporária é uma medida que visa garantir a conclusão das investigações e a elucidação dos fatos, enquanto a Justiça aguarda os laudos periciais para decidir sobre o futuro do processo.
Fonte: ver noticia original

