O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, negou nesta sexta-feira (12) o pedido de aliados do presidente Lula (PT) para impedir a exibição do filme ‘Dark Horse’, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em peças de campanha eleitoral a favor do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão, tomada em caráter liminar, rejeita a alegação de que o uso do longa-metragem configuraria propaganda irregular e desrespeito às regras eleitorais.
O pedido havia sido apresentado por representantes da coligação de Lula, que argumentaram que a exibição do filme durante o período eleitoral violaria a legislação ao promover um candidato de forma indireta e sem o devido registro de prestação de contas. A defesa de Flávio Bolsonaro, por sua vez, sustentou que a obra é uma produção independente, baseada em fatos públicos e biográficos, e que sua veiculação não configura propaganda eleitoral, mas sim exercício legítimo da liberdade de expressão e do direito à informação.
Decisão e fundamentos jurídicos
Em sua decisão, Kassio Nunes Marques destacou que não foram apresentados elementos suficientes para caracterizar ilegalidade na exibição do filme. O magistrado ressaltou que a obra já havia sido lançada comercialmente antes do início do período eleitoral e que sua utilização em campanhas políticas não está, em princípio, vedada pela legislação, desde que observadas as normas gerais de propaganda. A decisão também apontou que o pedido de aliados de Lula não demonstrou de forma clara como a exibição do filme poderia interferir no equilíbrio da disputa eleitoral ou causar dano irreparável ao pleito.
Panorama político e reações
A negativa do TSE ocorre em meio a um cenário político já polarizado, onde o uso de produções audiovisuais como ferramenta de campanha tem gerado controvérsias. Enquanto aliados de Lula veem na exibição do filme uma tentativa de beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, apoiadores do ex-presidente Bolsonaro celebram a decisão como uma vitória da liberdade de expressão. A disputa também reacende o debate sobre os limites da propaganda eleitoral e o papel do Judiciário na regulação de conteúdos durante as eleições. O caso deve continuar sendo monitorado por analistas políticos e jurídicos, especialmente diante da possibilidade de novos recursos por parte da coligação de Lula.
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