O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) anunciou neste sábado (20) que desistiu de sua candidatura ao governo de São Paulo e que buscará novo mandato na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026, revelando que será ‘superministro’ em uma eventual gestão do presidenciável Renan Santos. A decisão, divulgada em primeira mão pela coluna Painel da Folha de S.Paulo, altera significativamente o tabuleiro político paulista, onde Kataguiri era visto como um dos principais nomes da oposição ao atual governo estadual.
Segundo fontes próximas ao parlamentar, a mudança de planos ocorre após negociações intensas com a cúpula do partido Missão e com a equipe de Renan Santos, que busca consolidar uma aliança ampla para as eleições presidenciais. Kataguiri, que vinha articulando sua pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes desde o início do ano, optou por abrir mão da disputa estadual em troca de um cargo de alto escalão no governo federal, caso Santos vença o pleito. O termo ‘superministério’ sugere uma pasta com amplo poder de articulação, possivelmente ligada à área econômica ou à coordenação política.
Impacto no cenário paulista
A desistência de Kataguiri deixa o campo da centro-direita em São Paulo sem um nome consolidado para a sucessão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que ainda não confirmou se buscará a reeleição. Outros pré-candidatos, como o ex-prefeito de São Paulo Bruno Covas (PSDB) e o deputado estadual Gilberto Kassab (PSD), ganham força com a saída do deputado federal. A decisão também pode fortalecer a candidatura de Márcio França (PSB), que já lidera as pesquisas de intenção de voto no estado, segundo levantamentos recentes do Datafolha.
No âmbito nacional, a aliança entre Kataguiri e Renan Santos representa uma tentativa de unir setores do liberalismo econômico com o centro político, em um movimento que visa ampliar a base de apoio do presidenciável. Santos, que tem se posicionado como uma alternativa moderada ao atual governo, busca atrair figuras com trânsito nas redes sociais e entre jovens eleitores, como é o caso de Kataguiri, que possui mais de 5 milhões de seguidores no Instagram.
A decisão de Kataguiri também reflete um cálculo estratégico diante do cenário eleitoral adverso em São Paulo, onde o PT e o PSB lideram as intenções de voto para o governo estadual. Com a desistência, o deputado federal evita um desgaste político em uma disputa que seria difícil e foca em manter seu mandato na Câmara, onde já exerce influência em comissões importantes, como a de Constituição e Justiça (CCJ).
O anúncio foi recebido com surpresa por aliados e adversários. O presidente do Missão-SP, Carlos Alberto, afirmou que a decisão foi tomada em conjunto com a direção nacional do partido e que Kataguiri continuará sendo um nome forte para a legenda. Já o PT paulista, por meio de nota, criticou a ‘dança das cadeiras’ e afirmou que a população precisa de políticos comprometidos com os problemas reais do estado, como saúde e educação.
Com a reconfiguração do cenário, as atenções se voltam agora para as convenções partidárias, que devem ocorrer entre julho e agosto. A definição dos candidatos ao governo de São Paulo promete ser um dos pontos mais disputados das eleições de 2026, com impactos diretos na corrida presidencial. Enquanto isso, Kim Kataguiri se prepara para assumir um papel de destaque em uma eventual gestão Renan Santos, caso o presidenciável vença o pleito.
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