Alagoas comemora os 20 anos da Lei Maria da Penha com um dado que chama atenção: o estado alcançou o melhor resultado da série histórica no combate ao feminicídio. Entre janeiro e julho, os casos caíram de 21 para 14 na comparação com o mesmo período de 2016, conforme números apresentados pelo governador Paulo Dantas.
A redução de aproximadamente 33% é vista como reflexo de políticas públicas de proteção à mulher, mas também levanta questionamentos sobre a necessidade de manter o ritmo. Afinal, cada caso que deixa de existir representa uma vida poupada, mas os 14 registros ainda acendem alerta para a violência doméstica no estado.
O cenário positivo ocorre em meio a episódios que mostram a fragilidade das medidas protetivas. Em Marechal Deodoro, um homem rompeu a tornozeleira eletrônica, agrediu e ameaçou a companheira, evidenciando que a tecnologia sozinha não basta — é preciso fiscalização e punição efetivas. O caso, que ganhou repercussão, reforça a urgência de investimentos contínuos.
Para especialistas, o resultado alagoano é animador, mas exige cautela: a queda pode ser pontual e depende de ações integradas entre Judiciário, polícia e assistência social. O governador Paulo Dantas deve usar o dado como vitrine, mas a oposição tende a cobrar transparência sobre a metodologia e a sustentabilidade da política.
O próximo passo esperado é a ampliação de casas-abrigo e o fortalecimento das delegacias especializadas, além de um monitoramento mais rígido dos agressores. A série histórica favorável coloca Alagoas em posição de destaque, mas o desafio de transformar números em segurança real para as mulheres segue na pauta.
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