O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a fraude no INSS, que resultou em descontos indevidos em benefícios previdenciários, teve início em 2019, ainda no governo anterior. A declaração foi dada em meio à repercussão do caso, que levou à prisão do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares do Brasil (Conafer), foragido há meses. Lula defendeu a atuação do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, e destacou que o esquema foi descoberto durante seu mandato, com devolução dos valores aos aposentados.
Segundo o presidente, a investigação que culminou na Operação “Instituto Sagrado”, deflagrada pela Polícia Federal, revelou um esquema bilionário que atuava desde 2019, com descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Lula ressaltou que, apesar de o crime ter começado na gestão anterior, foi no seu governo que as irregularidades vieram à tona e que as medidas corretivas foram adotadas. “Os aposentados tiveram seus valores devolvidos”, afirmou, em referência às ações de ressarcimento realizadas pelo INSS.
Esquema bilionário e prisão de líder da Conafer
A operação da PF, que prendeu o presidente da Conafer, João Henrique Caldas, conhecido como JHC, é um desdobramento das investigações sobre o esquema. JHC, que é pré-candidato ao governo de Alagoas em 2026, foi capturado após meses foragido. A Conafer é acusada de intermediar descontos indevidos em benefícios do INSS, causando prejuízo estimado em R$ 2 bilhões aos cofres públicos e a segurados.
O caso ganhou contornos políticos, com a oposição cobrando explicações sobre o tempo de duração do esquema e a demora na apuração. No entanto, Lula reforçou que a descoberta foi possível graças ao trabalho de inteligência do INSS e da PF, e que a gestão de Carlos Lupi tem sido eficiente no combate a fraudes. “O que nós fizemos foi agir com rigor para punir os culpados e proteger os direitos dos aposentados”, declarou.
Panorama político e repercussão
A fala de Lula ocorre em um momento de tensão política, com o governo buscando demonstrar efetividade no combate à corrupção, enquanto a oposição tenta associar o caso à atual administração. A defesa de Carlos Lupi, que já foi alvo de críticas por suposta lentidão em reformas na Previdência, agora se concentra na apuração do esquema. Especialistas apontam que a devolução dos valores é um passo importante, mas que a investigação precisa avançar para responsabilizar todos os envolvidos.
O caso também reacende o debate sobre a fragilidade dos sistemas de controle do INSS, que permitiram que a fraude operasse por anos. A PF continua as investigações para identificar outros participantes do esquema, que envolvia entidades de representação de trabalhadores rurais e intermediários.
Em meio a esse cenário, a população acompanha os desdobramentos, esperando que a justiça seja feita e que os recursos desviados sejam recuperados. O governo, por sua vez, tenta capitalizar politicamente a ação, apresentando-a como um exemplo de combate à corrupção em sua gestão.
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