O presidente Lula (PT) chamou o governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, de interventor, ao se referir a ele durante cerimônia de assinatura do termo de adesão do estado ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), na manhã desta segunda-feira (22). O evento, realizado no Palácio Guanabara, marcou a adesão do Rio de Janeiro ao programa federal de renegociação de dívidas, que busca aliviar a situação fiscal dos entes federativos. A troca de elogios entre os dois líderes políticos ocorreu em meio a um contexto de tensão fiscal no estado, que enfrenta desafios orçamentários e busca alternativas para equilibrar as contas públicas.
Durante o discurso, Lula destacou a importância da parceria entre o governo federal e o estado do Rio de Janeiro para superar as dificuldades econômicas. Ele afirmou que a adesão ao Propag representa um passo significativo para a recuperação fiscal do estado, que há anos enfrenta crises financeiras. O presidente também elogiou a gestão de Ricardo Couto, classificando-o como um interventor necessário para reorganizar as finanças estaduais. Em resposta, o governador interino agradeceu o apoio do governo federal e ressaltou a disposição do estado em cumprir as metas fiscais estabelecidas pelo programa.
O Propag, criado em 2025, tem como objetivo oferecer condições especiais para que os estados paguem suas dívidas com a União, alongando prazos e reduzindo juros. No entanto, até o momento, apenas o Rio de Janeiro aderiu ao programa, o que gerou críticas de outros governadores e parlamentares. O Congresso Nacional discute a possibilidade de prorrogar o prazo de adesão, diante da baixa procura. A cerimônia desta segunda-feira foi vista como um gesto político de aproximação entre o governo federal e o estado fluminense, que historicamente tem relações complexas com Brasília.
O panorama político geral revela que a adesão do Rio de Janeiro ao Propag ocorre em um momento de fragilidade fiscal do estado, que acumula dívidas bilionárias e enfrenta dificuldades para investir em áreas como saúde, segurança e educação. A troca de elogios entre Lula e Ricardo Couto sinaliza uma tentativa de construir uma aliança política em torno da pauta fiscal, mas também expõe as divergências entre o governo federal e outros estados, que questionam os critérios do programa. A situação do Rio de Janeiro serve como termômetro para as negociações em curso no Congresso, que podem definir o futuro do Propag e o impacto nas finanças estaduais.
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