O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a pressionar o Congresso nesta segunda-feira (24) pela aprovação da PEC 221/2019, que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. Em publicação nas redes sociais, o mandatário afirmou que quem vota contra a proposta “joga contra os interesses” dos trabalhadores brasileiros e garantiu que o governo seguirá mobilizado para aprovar o texto. A declaração foi divulgada após reunião com lideranças sindicais e parlamentares da base aliada, em meio à articulação para pautar a matéria antes do recesso legislativo.
A fala de Lula ocorre em um momento de intensa negociação no Congresso, onde a PEC enfrenta resistência de setores empresariais e de parte da oposição. O texto, que tramita na Câmara dos Deputados, propõe reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 36 horas semanais, eliminando a escala que prevê seis dias de trabalho para um de descanso. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 30 milhões de brasileiros atuam nesse regime, o que torna a proposta um dos temas mais sensíveis da atual legislatura.
Panorama político e reações
Enquanto o governo tenta acelerar a votação, a oposição argumenta que a medida pode aumentar custos para as empresas e gerar desemprego. O presidente da Câmara, Arthur Lira, já sinalizou que a proposta será analisada por uma comissão especial antes de ir ao plenário, o que pode adiar a decisão final. Nos bastidores, aliados do governo admitem que a aprovação ainda enfrenta obstáculos, mas apostam na pressão popular e na mobilização das centrais sindicais para garantir os votos necessários.
Em sua publicação, Lula também destacou avanços na área trabalhista de sua gestão, como o aumento real do salário mínimo e a valorização dos acordos coletivos, e disse que a PEC 6×1 é um “compromisso histórico” com a classe trabalhadora. A declaração foi repercutida por lideranças do movimento sindical, que prometem realizar atos em Brasília nos próximos dias para pressionar os parlamentares.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a aprovação da PEC pode ter impacto significativo na economia, com efeitos sobre a produtividade e a geração de empregos. Estudos preliminares indicam que a redução da jornada poderia aumentar os custos operacionais das empresas em até 8%, o que acirra o debate entre os setores produtivos. Enquanto isso, a sociedade civil se divide: pesquisas recentes mostram que 70% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, mas a maioria também teme os efeitos sobre o emprego.
A matéria segue em tramitação e deve ser incluída na pauta da Câmara nas próximas semanas. O governo, por sua vez, promete intensificar a articulação política para garantir a aprovação do texto ainda neste semestre, em um cenário de disputa acirrada no Congresso e de olho nas eleições de 2026.
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