O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a defender duas frentes simultâneas em relação ao caso que envolve seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha: a apuração rigorosa dos vazamentos de informações sigilosas da Polícia Federal (PF) e a realização de um depoimento rápido do primogênito para tentar esclarecer as suspeitas levantadas contra ele. A informação foi publicada no blog do jornalista Valdo Cruz, no G1, nesta quinta-feira (20).
Irritado tanto com o filho quanto com a divulgação de dados reservados da investigação, Lula quer que a PF apure a origem dos vazamentos envolvendo mensagens trocadas entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeita de atuar na intermediação de negócios junto ao governo, além de conversas com um ex-chefe de gabinete ligado ao caso. Já existe um inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a divulgação de informações protegidas por sigilo, relatado pelo ministro Flávio Dino.
PGR pede envio do caso à 1ª instância
Nesta quarta-feira (19), Lula conversou longamente com o advogado Marco Aurélio Carvalho, amigo do presidente e responsável pela defesa de Lulinha. Oficialmente, a conversa teve como foco a campanha presidencial de 2026, mas, segundo relatos feitos ao blog, a situação do filho e o andamento das investigações também entraram na pauta. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já pediu que o caso deixe o STF e vá para a 1ª instância, conforme a defesa.
Lula tem defendido o filho sob o argumento de que, até agora, não foi identificado nenhum “ato de ofício” que comprove que Lulinha tenha conseguido viabilizar negócios dentro do governo em favor de Roberta Luchsinger. Apesar disso, o presidente avalia que um depoimento rápido pode ajudar a esclarecer as suspeitas e encerrar especulações sobre o caso.
Vazamento seletivo e panorama político
O presidente tem reclamado reservadamente do que considera um “vazamento seletivo” de informações. Segundo interlocutores, Lula avalia que apenas informações relacionadas ao filho vêm sendo divulgadas, o que contribui para desgastá-lo politicamente em pleno período eleitoral. Ao mesmo tempo, o presidente argumenta que outras investigações em andamento não têm o mesmo nível de exposição pública.
Entre os exemplos citados por Lula está o caso do financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O PT apresentou à Polícia Federal um pedido de investigação sobre os recursos destinados ao projeto. A legenda alega que há suspeitas de que parte dos valores possa ter sido utilizada para finalidades diferentes das declaradas inicialmente, incluindo o custeio da permanência do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O caso ganha contornos sensíveis em um momento de acirramento político, com investigações na PF sendo alvo de críticas e defesas públicas. A operação Sinon, que apura vazamento de informações sigilosas e corrupção interna, e a investigação bilionária envolvendo o Banco Master são exemplos de como o tema tem permeado o debate nacional. Enquanto isso, o STF reafirma condições especiais para o banqueiro Daniel Vorcaro em meio à crise financeira e negociações de delação, e o governador Romeu Zema defende críticas a Flávio Bolsonaro e Vorcaro, pedindo investigação ampla contra corrupção.
Em meio a esse cenário, a expectativa é de que o depoimento de Lulinha à PF ocorra nos próximos dias, o que pode ajudar a reduzir a pressão sobre o governo e esclarecer os fatos. A defesa do filho do presidente afirma que ele está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
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