O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lançou duras críticas a líderes mundiais por sua postura em relação a guerras e invasões, e rechaçou veementemente a tentativa do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de excluir a África do Sul do G20. A declaração foi proferida neste sábado, 18 de abril, durante a 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, realizada em Barcelona, na Espanha, onde o chefe de Estado brasileiro defendeu o fortalecimento do multilateralismo e a soberania das nações em um cenário geopolítico cada vez mais polarizado.
Em seu discurso, Lula expressou profunda preocupação com o visível enfraquecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), uma instituição fundamental para a governança global. Ele fez um apelo incisivo aos chefes de Estado para que assumam um papel mais ativo e participativo nas discussões e decisões da entidade. “É importante que a gente aprenda uma lição muito séria. A ONU é um instrumento muito valioso se ela funcionar e ela precisa funcionar para garantir, por exemplo, que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro”, enfatizou o presidente, conforme reportado pelo G1.
A controvérsia em torno da participação da África do Sul no G20 foi um ponto central da fala de Lula. O presidente brasileiro defendeu publicamente seu homólogo sul-africano, Cyril Ramaphosa, contra as ameaças de Trump. “Vamos brigar, [Cyril] Ramaphosa, para você ir para o G20 nos Estados Unidos, porque o presidente americano não tem o direito de tirar você do G20, porque ele não é dono do G20. Então, se prepare para você ir aos Estados Unidos ficar lá na porta para entrar no G20“, declarou Lula, referindo-se a uma polêmica declaração de Donald Trump de novembro do ano passado (2025).
Na ocasião, Trump havia afirmado que não convidaria a África do Sul para o encontro do G20 previsto para dezembro deste ano (2026), em Miami. Sem apresentar quaisquer provas, o ex-presidente norte-americano alegou a ocorrência de um “genocídio” de fazendeiros brancos no país africano — uma acusação veementemente negada pelo governo sul-africano e amplamente considerada falsa por especialistas e autoridades internacionais. A postura de Trump não se limitou a palavras; ele também boicotou a cúpula do G20 realizada na África do Sul em 2025 e anunciou a suspensão de subsídios americanos ao país, aprofundando uma crise diplomática entre Washington e Pretória. Em resposta, o presidente Cyril Ramaphosa reafirmou a soberania da África do Sul, declarando que nenhum membro isolado pode decidir unilateralmente sobre a exclusão de integrantes do grupo.
O G20 e o Desafio ao Multilateralismo
O G20 é um fórum internacional crucial que congrega as principais economias desenvolvidas e emergentes do mundo, com o objetivo de debater temas vitais ligados à economia global e à governança internacional. A tentativa de exclusão de um membro por parte de uma única nação, especialmente uma potência como os Estados Unidos, representa um desafio direto aos princípios do multilateralismo e da cooperação que sustentam a própria existência do grupo. Este episódio reflete uma tendência global de ascensão de nacionalismos e políticas protecionistas, que ameaçam a ordem internacional baseada em regras e instituições como a ONU e o próprio G20.
Convocação Global por uma Nova Ordem
A declaração de Lula em Barcelona não se limitou à defesa da África do Sul, mas expandiu-se para uma convocação mais ampla. O presidente brasileiro sugeriu que o documento final do encontro na Espanha contivesse um chamado geral para uma discussão aprofundada sobre o multilateralismo na ONU. “Eu eu acho que é isso que a gente deve tentar colocar no o documento: uma convocação geral para discutir o que está acontecendo no mundo hoje com a destruição do multilateralismo. Vai prevalecer a força do senhor da guerra. O cidadão falando todo dia porque tem mais dinheiro, porque tem mais tecnologia. [Ele] pode fazer tudo? Não é possível”, argumentou Lula, destacando a preocupação com a prevalência da força em detrimento do diálogo e da cooperação. Este cenário de tensões crescentes e a busca por um reequilíbrio de poder são temas que o portal República do Povo tem acompanhado de perto, como pode ser visto em nossa análise sobre Tensões Globais em Foco: Lula Critica Ameaças de Guerra de Trump e Clama por Ordem Mundial.
A visão de Lula se insere em um panorama político global onde as grandes potências frequentemente divergem sobre a melhor forma de abordar crises, desde conflitos armados até desafios climáticos e econômicos. O Brasil, sob a liderança de Lula, tem buscado posicionar-se como um defensor da multipolaridade e da reforma de instituições internacionais, visando dar voz a países do Sul Global e construir um sistema mais equitativo e representativo. A crítica aos “senhores da guerra” e a defesa do diálogo são pilares dessa política externa, que busca mitigar os impactos de decisões unilaterais e promover soluções conjuntas para os problemas que afetam a humanidade.
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