O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, descartou nesta quinta-feira (27) a possibilidade de privatizar os Correios e afirmou que pretende recuperar a estatal, que acumula quatro anos seguidos de prejuízo. Em entrevista à Globo, Lula também disse que a dívida pública brasileira, que superou 80% do Produto Interno Bruto (PIB), não o preocupa e defendeu que o crescimento da economia ajudará a reduzir o peso do endividamento.
Durante a conversa, o presidente abordou a crise das estatais e, em particular, a situação dos Correios, que registraram um rombo histórico de R$ 15 bilhões nos últimos quatro anos. Lula afirmou que as dificuldades da empresa não são recentes e rejeitou qualquer plano de venda. “Desde 85 o Correio brasileiro vive em crise e alguém quer privatizar os Correios”, disse, em tom crítico a propostas de desestatização.
Recuperação e serviços
Lula garantiu que, se reeleito, vai tirar a estatal do déficit. “Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios, sabe? E para ele prestar serviço de qualidade ao povo brasileiro. E ele pode fazer”, declarou. Para o presidente, a empresa tem importância estratégica por estar presente em todos os municípios do país, mas reconheceu que não acompanhou as mudanças no mercado de entregas e o avanço de concorrentes. “Obviamente que os Correios são vítimas de uma crise, que ele não se adaptou a um novo tempo. Não se adaptou, surgiu muita empresa de fazer entrega e o Correio ficou na mesmice.”
Segundo Lula, a estatal está sob nova administração, com a missão de “fazer o enxugamento que for necessário”. Ele também não descartou parcerias com empresas brasileiras ou estrangeiras para ampliar os serviços. “A gente quer um Correio prestando serviços junto com qualquer outra empresa.”
Dívida pública em debate
Na entrevista, o presidente minimizou o crescimento da dívida pública, que superou 80% do PIB durante seu terceiro mandato. Ele atribuiu o aumento à taxa de juros de 14% ao ano e ao déficit fiscal de 2,8%, que, segundo ele, foi “herdado” do governo de Jair Bolsonaro (PL). Lula argumentou que o crescimento do PIB, acima de 2% ao ano, é parte da solução para reduzir o peso do endividamento, comparando a situação brasileira à de outras economias. “Na medida que você começa a crescer a economia, a dívida começa a cair em relação ao PIB. 80% de dívida, em um país, não”, afirmou, sem concluir a frase.
O cenário coloca em evidência o debate sobre o papel do Estado na economia e a sustentabilidade fiscal, temas centrais na corrida eleitoral de 2026. Enquanto aliados defendem a manutenção de investimentos públicos, críticos apontam riscos de descontrole das contas. A fala de Lula ocorre em meio a um contexto de recuperação econômica gradual, mas com desafios como a inflação e o alto custo do crédito.
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