O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o diálogo direto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e fez uma distinção pública: enquanto a cúpula americana mantém interlocução respeitosa, o chamado ‘segundo escalão’ do governo norte-americano adota posturas que o petista classificou como desrespeitosas. A declaração foi dada em meio à escalada de tensões comerciais entre os dois países.
Lula afirmou que a relação com Trump é pautada por ‘conversa franca’ e que os dois líderes têm conseguido avançar em temas sensíveis, como tarifas e acordos bilaterais. Mas o presidente brasileiro não poupou críticas aos auxiliares do republicano, que, segundo ele, agem de forma ‘intempestiva’ e ‘sem conhecimento da realidade’ — uma referência indireta às recentes ameaças de sanções e sobretaxas vindas de departamentos técnicos do governo americano.
A fala de Lula ecoa um incômodo que já vinha sendo manifestado nos bastidores do Planalto. Nos últimos meses, integrantes do governo brasileiro reclamaram de comunicados oficiais dos EUA que tratavam o Brasil como ‘país não alinhado’ e de medidas que atingem setores estratégicos da economia nacional. O presidente, porém, fez questão de separar o joio do trigo: ‘Não posso confundir a atitude do presidente Trump com a de gente que quer aparecer’, disse.
A postura de Lula também contrasta com a linha dura adotada por outros líderes da América do Sul. Enquanto alguns governos da região elevaram o tom contra Washington, o brasileiro aposta na diplomacia pragmática — mesmo diante de provocações. A estratégia, avaliam analistas, é preservar o superávit comercial com os EUA, que em 2024 somou bilhões de dólares, sem abrir mão de responder às provocações quando necessário.
Nos bastidores, a avaliação é que Lula tenta usar a relação pessoal com Trump como escudo contra as investidas do ‘baixo clero’ americano. A expectativa é que o tema volte à tona na próxima reunião do G20 e em encontros bilaterais já agendados. Resta saber até quando o presidente brasileiro conseguirá manter o tom conciliador sem desgastar a base aliada, que cobra uma resposta mais dura às afrontas de Washington.
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