Lula no G7: tensão com EUA por tarifas e veto europeu à carne marcam agenda internacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (13) para a cidade de Évian-les-Bains, na França, onde participará, como convidado, da Cúpula do G7, fórum que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta — Canadá, Estados Unidos (EUA), Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão, além da União Europeia (UE) como membro institucional. É a 10ª vez que Lula participa do encontro, ao longo de seus três mandatos.

A ida de Lula acende a expectativa para possíveis interações com o presidente dos EUA, Donald Trump, em um momento de novo tensionamento entre os dois países, duas semanas após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicar a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano pelo governo de Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA. Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o WhatsApp Pay.

Até o momento, não houve confirmação sobre uma possível reunião bilateral entre Lula e Trump. Se algum encontro entre os dois líderes ocorrer na França, será pouco mais de um mês da última reunião de ambos, na Casa Branca, em Washington. O cenário de tensão comercial se agrava com a possibilidade de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros atingirem 37,5% com sobretaxa adicional, conforme revelou o governo brasileiro. Paralelamente, a União Europeia mantém veto à carne brasileira, ampliando os desafios para a agenda externa do país.

O panorama político geral indica que a participação de Lula no G7 ocorre em meio a uma ofensiva coordenada de setores protecionistas nos EUA e na Europa, que miram setores estratégicos da economia brasileira, como o agronegócio e o sistema financeiro digital. O governo brasileiro, por sua vez, rebate as acusações de trabalho forçado e defende sua reputação internacional, enquanto o presidente Lula responsabiliza o clã Bolsonaro pela ofensiva dos EUA contra o Pix e a nova taxação, classificando a crise comercial como um reflexo de disputas políticas internas.

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