Lula orientou Galípolo a investigar Banco Master ‘sem pirotecnia’, revela presidente do BC em CPI

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, depôs na CPI do Crime Organizado, revelando orientação do Presidente Lula para investigar o Banco Master de forma técnica. A reunião no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, com ministros e banqueiros, discutiu os problemas de liquidez do banco e acusações de perseguição de mercado, destacando a complexidade da intervenção estatal em crises financeiras privadas.

O presidente do Banco Central (**BC**), **Gabriel Galípolo**, revelou nesta quarta-feira (8), durante depoimento na **Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado** no **Senado**, que recebeu orientação direta do presidente da República, **Luiz Inácio Lula da Silva**, para agir com estrita tecnicidade e sem ‘pirotecnia’ na investigação do caso envolvendo o **Banco Master**. A declaração de Galípolo lança luz sobre a intervenção de alto nível do governo em questões financeiras privadas, destacando uma reunião crucial ocorrida no **Palácio do Planalto** em **dezembro de 2024**, pouco antes de sua posse no comando do BC, para discutir a delicada situação do banco.

“Recebi uma orientação: ‘Seja técnico, pois você tem toda autonomia para perseguir e investigar seja quem for, sem fazer pirotecnia’. A orientação sempre foi esta”, afirmou **Galípolo** aos parlamentares, conforme noticiado pela **Agência Brasil**. A fala do presidente do BC sublinha a autonomia técnica prometida, mas também a sensibilidade política de um caso que envolveu figuras proeminentes do cenário econômico e político nacional.

A Reunião no Palácio do Planalto e o Cenário de Crise

A gravidade da situação do **Banco Master** era tal que motivou uma reunião de cúpula no **Palácio do Planalto** em **dezembro de 2024**. **Gabriel Galípolo** confirmou sua participação no encontro, que visava discutir os “problemas de liquidez e com dificuldades para continuar captando recursos com garantia do **Fundo Garantidor de Créditos (FGC)**” que o banco já enfrentava. A presença de múltiplos atores políticos e econômicos na ocasião ressalta a dimensão do impacto que a crise do **Banco Master** poderia ter no sistema financeiro.

Entre os presentes na reunião, além de **Galípolo** e do presidente **Lula**, estavam o banqueiro **Daniel Vorcaro**, o ex-sócio do Master e controlador do **Banco Pleno**, **Augusto Lima**, os ministros **Rui Costa** (Casa Civil) e **Alexandre Silveira** (Minas e Energia), e o economista **Guido Mantega**. A diversidade dos participantes indica a preocupação do governo em diferentes frentes – da estabilidade financeira à coordenação política e econômica – diante de uma potencial crise.

Durante o encontro, **Galípolo** detalhou que a narrativa predominante, “bastante disseminada”, era a de que o **Banco Master** vinha sendo alvo de perseguição por outras instituições financeiras. “Os acionistas do Master [**Vorcaro** e **Lima**] relatavam que estavam sendo perseguidos pelo mercado financeiro e que a dificuldade deles captarem [recursos] se devia ao fato de incomodar instituições concorrentes”, explicou **Galípolo**, destacando que **Vorcaro** foi quem mais se manifestou, defendendo a tese de que o banco enfrentava resistência por incomodar concorrentes.

Panorama Político e Desdobramentos da Investigação

O caso do **Banco Master** se insere em um contexto político mais amplo, onde a atuação de órgãos de controle e a transparência são constantemente questionadas. A revelação de **Galípolo** na **CPI do Crime Organizado** não apenas detalha a orientação presidencial, mas também expõe a complexidade das relações entre o poder público e o setor financeiro privado, especialmente em momentos de fragilidade econômica.

A investigação sobre o **Banco Master** já gerou outros desdobramentos significativos. O ministro do Supremo Tribunal Federal (**STF**), **André Mendonça**, prorrogou o inquérito que apura fraudes na instituição, enquanto o ministro **Cristiano Zanin** negou um pedido para determinar a criação de uma **CPI** específica para o banco. Esses movimentos judiciais e legislativos demonstram a atenção que o caso tem recebido, sublinhando a necessidade de uma apuração rigorosa e imparcial, conforme a orientação de “sem pirotecnia” mencionada por **Galípolo**.

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