Maceió investe R$ 20,1 milhões em programa para reduzir filas do SUS e ampliar consultas especializadas

A Prefeitura de Maceió oficializou, nesta semana, a regulamentação do programa Agora Tem Especialistas, que prevê um investimento de R$ 20,1 milhões para ampliar o acesso a consultas e exames especializados na rede pública de saúde. A iniciativa, publicada no Diário Oficial do Município, tem como objetivo reduzir as filas de espera por atendimentos de média e alta complexidade no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente nas áreas de oftalmologia, cardiologia, ortopedia e neurologia.

O programa funcionará por meio de mutirões e do credenciamento de clínicas e hospitais privados, que serão contratados pela Secretaria Municipal de Saúde para realizar procedimentos que hoje enfrentam maior demanda reprimida. De acordo com a regulamentação, os recursos serão destinados tanto para a realização de consultas quanto para exames complementares, como ultrassonografias, ecocardiogramas e ressonâncias magnéticas. A meta é zerar a fila de espera por especialistas em até 12 meses, conforme estimativa da própria gestão municipal.

Panorama político e contexto da saúde pública em Maceió

A medida chega em um momento de forte pressão sobre o sistema de saúde da capital alagoana, que registra um aumento expressivo na procura por atendimentos especializados desde o fim da pandemia de Covid-19. Dados da Secretaria Municipal de Saúde indicam que mais de 40 mil pessoas aguardam por consultas com especialistas na rede pública, número que cresceu 25% nos últimos dois anos. O programa Agora Tem Especialistas se soma a outras iniciativas recentes da prefeitura, como a regulamentação de pontos de apoio para entregadores de aplicativo e a implementação de aluguel social para mulheres vítimas de violência doméstica, ambas publicadas no portal República do Povo. A gestão municipal também tem buscado parcerias com o governo estadual, que recentemente apresentou uma política de incentivos ao querosene de aviação (QAV) para impulsionar o setor aéreo e a economia local.

Especialistas em saúde pública apontam que a iniciativa pode servir de modelo para outras cidades brasileiras que enfrentam gargalos semelhantes no SUS. No entanto, alertam para a necessidade de monitoramento rigoroso dos contratos com a rede privada, para evitar desvios de recursos e garantir que o atendimento chegue prioritariamente às populações mais vulneráveis. A Prefeitura de Maceió informou que criará um comitê de fiscalização composto por representantes da sociedade civil e do Conselho Municipal de Saúde para acompanhar a execução do programa.

O anúncio ocorre em meio a um cenário nacional de debates sobre o financiamento do SUS. Em nível federal, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou recentemente uma nova política de saúde para a população em situação de rua e prometeu ampliar as equipes do programa Consultório na Rua. A medida, também repercutida pelo República do Povo, reforça a tendência de busca por soluções locais e criativas para desafios históricos do sistema público de saúde.

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