Uma mãe de santo denunciou um pastor evangélico por quebrar imagens religiosas que ficavam na frente de um terreiro, em Santo Amaro, no Recôncavo da Bahia. Os ataques ocorreram em agosto deste ano e, de acordo com a Polícia Civil, o inquérito policial foi enviado à Justiça no sábado (12). Ninguém foi preso. O terreiro Ilê Axé Tonan foi o alvo da ação, que resultou na destruição de imagens de orixás. A denunciante afirma que o pastor justificou o ato dizendo que ‘Deus mandou’.
O caso veio à tona após a mãe de santo registrar boletim de ocorrência e prestar depoimento. Segundo ela, o pastor invadiu a área externa do templo e, com golpes, quebrou as imagens que ficavam expostas na frente do terreiro. O episódio ocorreu em agosto, mas só agora o inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário. A Polícia Civil não divulgou o nome do pastor nem da vítima, e até o momento ninguém foi preso.
A intolerância religiosa contra religiões de matriz africana é um problema recorrente no Brasil. Dados de órgãos de direitos humanos apontam que terreiros e praticantes de candomblé e umbanda são alvos frequentes de ataques e depredações. Na Bahia, estado com maior população negra do país, casos como esse reacendem o debate sobre a necessidade de políticas públicas de proteção e punição mais severa para crimes de ódio religioso.
O inquérito foi enviado à Justiça no sábado (12), conforme informou a Polícia Civil. A partir de agora, o Ministério Público e o Judiciário vão analisar as evidências coletadas para decidir sobre denúncia e eventual responsabilização. A mãe de santo espera que o caso não fique impune e que sirva de alerta para outros episódios semelhantes.
Procurado, o pastor não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para eventual defesa. A reportagem tentou contato com a Polícia Civil para obter mais detalhes sobre as investigações, mas não obteve retorno até o fechamento do texto.
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