Mãe que encomendou morte de funcionária de abrigo no PR também ameaçou outros servidores, aponta inquérito

Uma mulher de 41 anos, presa desde 10 de julho, foi indiciada por tentativa de homicídio qualificado e ameaça após planejar a morte de uma funcionária da Casa Lar de Abatiá, no Norte do Paraná. O inquérito, finalizado nesta terça-feira (14), revelou que ela também é suspeita de ameaçar pelo menos outros três servidores do abrigo, conforme o delegado Luis Guilherme Almeida. O marido dela também está sob investigação em procedimento separado. A motivação do crime, segundo a polícia, seria a perda da guarda dos três filhos, atribuída pela mulher à vítima.

A investigação da Polícia Civil encontrou prints de conversas entre a mulher e um intermediário, nos quais ela afirma querer “apagar uma infeliz do mapa” e acusa a vítima de ter “tomado” os filhos e “feito a cabeça” do promotor. O filho de 16 anos dela, que está em uma casa de acolhimento, ouviu sobre o plano durante uma visita aos pais e alertou a funcionária, além de realizar a denúncia. A funcionária não foi ferida e está bem, segundo as autoridades.

Panorama político e social

O caso expõe tensões no sistema de acolhimento infantil no Paraná, onde a perda de guarda de crianças frequentemente gera conflitos entre famílias e servidores públicos. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) informou que acompanha a situação da família desde “pelo menos” 2022, e que a Promotoria de Justiça de Ribeirão do Pinhal adotou medidas para tentar manter as crianças com os pais, mas a retirada foi necessária após constatar “grave quadro de negligência e de situação de risco”. O delegado Luis Guilherme Almeida detalhou que as crianças “estariam sofrendo maus-tratos, não estariam tendo alimentação adequada, não estariam tendo o ensino adequado e não estariam frequentando a escola”, configurando abandono intelectual e maus-tratos.

O MP-PR reforçou que fiscaliza regularmente a Casa Lar de Abatiá e que nenhuma irregularidade foi encontrada no atendimento. A prisão preventiva da mulher, aceita pela Justiça, foi apontada como a principal medida para garantir a integridade dos servidores. Os nomes da mulher e do marido não foram divulgados para proteger a identidade dos filhos e da funcionária ameaçada. O g1 tenta identificar a defesa do casal.

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