Uma pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel revelou que a maioria dos brasileiros não demonstra preocupação com uma eventual interferência do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições presidenciais de 2026 no Brasil. De acordo com o levantamento, 56,4% dos entrevistados afirmaram estar pouco ou nada preocupados com a possibilidade de influência externa norte-americana no pleito, enquanto 43,6% se disseram muito ou bastante preocupados. O estudo foi divulgado nesta quinta-feira (26) e traz um panorama sobre a percepção da população em relação à ingerência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.
A pesquisa ouviu 2.500 pessoas em todas as regiões do país, entre os dias 20 e 24 de junho de 2025, e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os dados indicam que, apesar do histórico de declarações polêmicas de Trump sobre sistemas eleitorais de outros países, a maioria dos brasileiros confia na capacidade do Brasil de conduzir suas eleições de forma soberana e sem interferências externas. O resultado também reflete um cenário de estabilidade institucional, no qual o sistema eleitoral brasileiro é visto como robusto e preparado para evitar ingerências estrangeiras.
Panorama político e contexto internacional
O levantamento da AtlasIntel ocorre em um momento de intenso debate sobre a influência de potências estrangeiras em processos democráticos ao redor do mundo. Nos últimos anos, acusações de interferência russa nas eleições dos Estados Unidos e de outros países, bem como a atuação de grupos ligados a Trump em movimentos de desinformação, alimentaram discussões sobre a vulnerabilidade de sistemas eleitorais. No Brasil, o tema ganhou relevância após as eleições de 2022, quando houve questionamentos sobre a lisura do processo, amplamente rejeitados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por organismos internacionais.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a confiança da população no sistema eleitoral brasileiro é um fator crucial para a estabilidade democrática. “O resultado da pesquisa mostra que, apesar do ruído externo, o brasileiro médio não vê com maus olhos a capacidade do país de se proteger de interferências. Isso é um sinal positivo para a maturidade democrática”, avaliou o cientista político Carlos Melo, do Insper. Já o analista internacional Mônica Herz, da PUC-Rio, ponderou que a influência de figuras como Trump não deve ser subestimada, especialmente em um contexto de polarização política global.
Detalhes do levantamento e reações
A pesquisa também segmentou os dados por faixa etária, nível de escolaridade e posicionamento político. Entre os eleitores que se identificam com a direita, o percentual de preocupação com a influência de Trump foi menor (38%), enquanto entre os de esquerda o índice subiu para 52%. Jovens entre 18 e 24 anos mostraram-se mais preocupados (48%) do que os maiores de 60 anos (32%). O levantamento não identificou diferenças significativas por renda ou região geográfica.
O instituto AtlasIntel, conhecido por suas pesquisas de opinião pública com metodologia online, reforçou que os dados são representativos da população brasileira com acesso à internet. A margem de confiança é de 95%. O estudo completo está disponível no site da empresa e foi realizado de forma independente, sem vínculo com partidos políticos ou governos.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o Brasil mantém relações diplomáticas maduras com os Estados Unidos e que não há indícios concretos de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. O Tribunal Superior Eleitoral também se manifestou, destacando que o sistema eletrônico de votação é auditável e seguro, e que qualquer tentativa de ingerência será combatida com os instrumentos legais disponíveis.
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