Miami, nos Estados Unidos, consolidou-se como a nova capital dos ultrarricos, atraindo bilionários como Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e os fundadores do Google, em um movimento que elevou os preços dos imóveis de luxo a patamares superiores aos de Nova York. Em março, Zuckerberg pagou US$ 170 milhões (cerca de R$ 872 milhões) pela mansão mais cara já vendida na cidade, mas o recorde pode ser batido em breve pela propriedade do corretor John Daveney, em Key Biscayne, listada por US$ 237 milhões (aproximadamente R$ 1,2 bilhão). O fenômeno reflete uma combinação de benefícios fiscais, segurança e clima, que transformou a região em um ímã para a elite financeira global.
O mercado imobiliário de Miami vive uma ‘nova era dos imóveis troféus’, segundo Mayi De la Vega, fundadora da One Sotheby’s International Realty, uma das corretoras de ultraluxo mais famosas do sul da Flórida. ‘A quantidade de vendas de casas de mais de US$ 60 milhões (cerca de R$ 308 milhões) vem aumentando e o mercado permanece em crescimento’, afirmou. A tendência é impulsionada pela chegada de figuras como Jeff Bezos, fundador da Amazon, Larry Page e Sergei Brin, criadores do Google, além de Ivanka Trump e seu marido Jared Kushner, que escolheram a cidade como residência.
O jornalista E. B. Solomont, especializado no mercado imobiliário do The Wall Street Journal, explicou à BBC News Mundo que ‘existe uma grande quantidade de pessoas de alta renda que se mudaram para a Flórida, em busca dos benefícios oferecidos pela vida em Miami’. Entre os atrativos, ele cita a baixa criminalidade, o clima agradável e a ausência de impostos estaduais, fatores que tornam a cidade mais competitiva que Nova York para os super-ricos.
O movimento, no entanto, não se limita às mansões de bilionários. O custo de vida em Miami subiu de forma acelerada, superando Nova York em diversos indicadores, especialmente no setor imobiliário. A cidade, que antes era vista como um destino de férias, agora atrai investidores e empresários que buscam um ambiente de negócios favorável e qualidade de vida. ‘Quando você tem um, dois ou três líderes empresariais influentes que se mudam, outros observarão os benefícios e irão segui-los’, observou Solomont, destacando o efeito multiplicador desse fenômeno.
Para o mercado local, a transformação representa uma oportunidade econômica, mas também levanta questões sobre acessibilidade e desigualdade. Enquanto os ultrarricos disputam propriedades de dezenas de milhões de dólares, a população local enfrenta um aumento no custo de vida, o que pode gerar tensões sociais. Ainda assim, a tendência parece sólida: com a chegada de novos investidores e a valorização dos imóveis, Miami se firma como um polo global de riqueza, atraindo olhares de todo o mundo.
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