Em um movimento que sela a trégua após semanas de rusgas públicas, Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro gravaram juntos, nesta terça-feira (11), o programa eleitoral que será veiculado a partir de 28 de agosto. O encontro presencial, o primeiro desde o conflito exposto em junho, foi marcado por um discurso de união e pela declaração da ex-primeira-dama: “Levanta a mão aí quem não tem problema na família. Mas, graças a Deus, a gente conversou, nos unimos em prol de algo muito maior para a nossa nação”.
A gravação ocorre a poucos dias do início oficial da campanha eleitoral, marcado para o próximo domingo (16), e sinaliza uma tentativa de pacificação interna no núcleo político da família Bolsonaro, que vinha sendo observada com atenção por aliados e adversários.
Rusgas expostas e tentativa de reconciliação
O conflito entre Michelle e Flávio veio a público em junho, quando a ex-primeira-dama publicou vídeos em suas redes sociais relatando ter sido “maltratada e humilhada” pelo enteado. A briga, segundo ela, teria começado no fim de 2025 e envolvia a disputa pelo palanque do PL no Ceará, onde o partido tentou uma aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), apoio criticado por Michelle.
No mês passado, os dois deram sinais de reaproximação. Flávio divulgou um vídeo pedindo desculpas pelos episódios que causaram “desconforto” e convidou a madrasta para integrar sua campanha. Horas depois, Michelle respondeu dizendo que recebeu as palavras “com muita paz” e valorizou a atitude do senador.
Apoio à candidatura presidencial
Apesar de não ter participado da convenção nacional do PL, Michelle enviou um vídeo declarando apoio à candidatura de Flávio à Presidência. Na mensagem, ela relembrou o lançamento da candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição em 2022, afirmou que não compareceu ao evento por estar cuidando do ex-presidente e fez um apelo pela união da direita.
O gesto de agora, com a gravação conjunta, reforça a imagem de uma família unida em torno do projeto eleitoral, embora analistas apontem que as feridas ainda estejam abertas. A fala de Michelle sobre não guardar mágoa — “Meu coração é limpo, graças a Deus” — parece ser uma tentativa de enterrar de vez o assunto, mas a relação entre os dois deve seguir sendo monitorada de perto nos próximos meses.
Panorama político e impacto
A trégua entre Michelle e Flávio ocorre em um momento de intensa movimentação no cenário político nacional. Enquanto o PL busca consolidar palanques estaduais e nacionais, a exposição de conflitos internos pode fragilizar a imagem do partido e da família Bolsonaro, que já enfrenta desafios com a saúde do ex-presidente e disputas por espaço na sucessão presidencial.
A união pública, no entanto, pode ser lida como um esforço para transmitir coesão e força ao eleitorado, especialmente diante de pesquisas que mostram a polarização e a necessidade de consolidar apoios. A campanha eleitoral, que começa oficialmente no próximo domingo, será o primeiro grande teste dessa reconciliação.
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