O governo Lula avalia que os ataques constantes do presidente argentino, Javier Milei, ao Brasil não são meras provocações, mas uma estratégia deliberada para consolidar sua liderança na extrema direita da América Latina. Nos bastidores do Planalto, a leitura é que Milei tenta ampliar a própria popularidade às custas de uma briga com o principal nome da esquerda no continente.
Diante disso, a orientação tem sido evitar respostas diretas que elevem o tom do embate. A postura contrasta com a reação institucional: o Brasil rebaixou as relações diplomáticas com a Argentina após as últimas declarações do ultraliberal, que voltou a criticar Lula em evento do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Enquanto isso, a crise ganha contornos regionais. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, apoiou as críticas de Milei, mas classificou o tom como “não civilizado”. O chanceler Mauro Vieira, por sua vez, convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas, num gesto raro na diplomacia entre os dois países.
O cálculo no Planalto é que Milei precisa de um inimigo externo para desviar o foco da crise econômica argentina e fortalecer sua imagem entre aliados ideológicos. A estratégia, porém, tem custo: aprofunda o isolamento do país vizinho no cenário regional e abre espaço para que o Brasil assuma protagonismo entre as nações sul-americanas.
Nos próximos dias, a expectativa é que o governo brasileiro mantenha a cautela, mas não descarte novas medidas diplomáticas caso os ataques persistam. A aposta é que o silêncio estratégico de Lula, combinado com a reação institucional, esvazie o palanque que Milei tenta construir às custas da relação bilateral.
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