A cinco meses das eleições, Minas Gerais, o segundo estado em número de eleitores e com peso decisivo na disputa presidencial, emerge como um campo de batalha político com um cenário ainda profundamente indefinido. O Partido Liberal (PL) e o Partido dos Trabalhadores (PT), as duas maiores forças políticas do país, intensificam suas negociações nos próximos dias para destravar a formação de palanques estratégicos no estado, buscando definir quem representará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro e quem receberá o apoio da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme apurado pelo g1.
De um lado, o PL ainda não consolidou um nome para a disputa, com o senador Flávio Bolsonaro no centro das articulações. Para avançar nessa definição crucial, uma reunião-chave está agendada para esta terça-feira (12) em Brasília. O encontro contará com a presença de Flávio Bolsonaro, do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, dos deputados mineiros Nikolas Ferreira, Zé Vitor e Domingos Sávio, além do senador Rogério Marinho (RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio. A pauta principal é a discussão dos cenários possíveis para a representação da legenda em Minas Gerais, um estado vital para a estratégia eleitoral nacional.
Segundo o deputado Domingos Sávio, o PL explora três possibilidades distintas. Uma delas envolve a formação de uma aliança com o atual governador, Mateus Simões (PSD). Este acordo hipotético implicaria na renúncia do ex-governador Romeu Zema (Novo) aos seus planos de disputar o Planalto, para que ele apoiasse a candidatura de Flávio Bolsonaro no estado. Embora o nome de Zema já tenha sido cogitado como vice em outras ocasiões, ele tem negado publicamente essa possibilidade, conforme reportado pelo g1.
As outras duas alternativas para o PL incluem candidaturas próprias. Uma delas seria a do empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), que se licenciou do cargo em abril deste ano para se filiar ao partido. Roscoe afirmou ao g1 que seu nome está à disposição, embora não participe das reuniões internas da sigla. Contudo, seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto é um fator de peso contra ele, registrando apenas 2% no levantamento mais recente da Quaest, realizado em abril, em um cenário com dez pré-candidatos. A terceira opção seria a do ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, que também figura entre os nomes cotados pela legenda.
No campo da oposição ao PL, aliados do presidente Lula (PT) concentram esforços para convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSD) a entrar na corrida eleitoral. A articulação visa consolidar um palanque forte que represente a base governista no estado. Enquanto isso, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) desponta como o líder nas pesquisas de intenção de voto em Minas Gerais. Apesar de se posicionar como independente, Cleitinho é um notório apoiador de Jair Bolsonaro e frequentemente expressa gratidão ao ex-presidente pelo apoio recebido em 2022, ano de sua eleição. Ele prometeu anunciar sua decisão sobre a candidatura em julho, um prazo que congressistas do PL consideram arriscado, dada a proximidade das convenções partidárias, quando as candidaturas devem ser formalmente aprovadas.
A complexidade do cenário mineiro é acentuada pela falta de consenso interno nas legendas. No PL, por exemplo, não há unanimidade sobre os nomes em pauta. O deputado Nikolas Ferreira manifesta-se contrário à escolha de Cleitinho Azevedo, argumentando que o senador não adota posições totalmente alinhadas aos princípios da legenda. Essa fragmentação e a busca por alianças estratégicas em um estado de tamanha relevância eleitoral sublinham a intensidade da disputa que se desenha para 2026, onde cada movimento em Minas Gerais pode ter um impacto direto no resultado final da eleição presidencial, conforme análises de especialistas políticos.
Fonte: ver noticia original
