Em um cenário de efervescência política e econômica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou a nomeação de Dario Durigan para comandar o Ministério da Fazenda, em um evento realizado em São Paulo. A transição, que ocorre sem grandes surpresas para o mercado, posiciona o ex-número dois da pasta para substituir Fernando Haddad, que deixou Brasília para disputar o governo de São Paulo. Durigan assume a liderança em um momento crucial, marcado pela guerra no Oriente Médio, que pressiona os preços do petróleo e do diesel, e pela iminência de um ano eleitoral, exigindo um foco redobrado na estabilidade fiscal e na execução das diretrizes econômicas já estabelecidas.
A notícia foi recebida positivamente pelo mercado, que enxerga na escolha de Durigan um sinal de continuidade. Especialistas ouvidos pelo g1 destacam que seu principal papel será priorizar as contas públicas e assegurar a execução das políticas econômicas em um ano de intensa movimentação política. “O Durigan participou ativamente da agenda econômica desde o início. Agora, à frente do ministério, ele deve manter o legado de Haddad, principalmente na sustentação fiscal”, afirma Erich Decat, analista político.
Desafios Fiscais e Geopolíticos
Com passagens pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pelo setor privado, Durigan já esteve envolvido em medidas de aumento de arrecadação, como o incremento de impostos, além de ter participado ativamente da articulação da reforma tributária sobre o consumo e da renegociação da dívida dos estados. Contudo, sua gestão será marcada por um novo e significativo desafio: a necessidade de evitar um novo repique da inflação, impulsionado pela volatilidade dos preços do petróleo e do diesel devido ao conflito no Oriente Médio. A estabilidade econômica será fundamental para não prejudicar a campanha de Lula por um quarto mandato no Palácio do Planalto.
Manter o equilíbrio fiscal é uma prioridade inegociável. Entre os principais desafios está assegurar o cumprimento das metas fiscais e evitar ruídos que possam afetar a confiança do mercado. “A prioridade é previsibilidade. O mercado não reage bem a mudanças abruptas, então o foco precisa estar na continuidade das diretrizes fiscais e na clareza da execução”, avalia Raphael Costa, administrador de empresas e especialista em gestão empresarial do Grupo 220. Ele complementa que “mais do que anunciar novas medidas, o momento pede reforço do compromisso com metas já definidas, especialmente no controle de gastos. Em cenários de curto prazo, consistência costuma valer mais do que inovação.”
O Legado e o Futuro do Arcabouço
Como o g1 já mostrou, o espaço para os gastos discricionários dos ministérios será apertado neste ano, o que tende a levar a bloqueios de despesas. Isso se deve ao Arcabouço Fiscal, que limita o crescimento real das despesas do governo em até 2,5% ao ano. Com os gastos obrigatórios crescendo acima desse ritmo, o espaço para investimentos e despesas livres fica cada vez menor, exigindo uma gestão orçamentária rigorosa.
Adicionalmente, um desafio relevante se projeta no horizonte: o Arcabouço Fiscal tem perdido força, e há a possibilidade de uma discussão sobre um novo modelo a partir de 2027. Na avaliação de Decat, o modelo atual já dá sinais de esgotamento por ter sido sustentado, em grande parte, por aumento de arrecadação. Este panorama exige não apenas a gestão do presente, mas também a preparação para futuras reformas que garantam a sustentabilidade das contas públicas a longo prazo, em um ambiente político e econômico que se mostra cada vez mais complexo e imprevisível.
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