Ministério dos Transportes recomenda veto a trechos do projeto do piso do frete para caminhoneiros

O Ministério dos Transportes recomendou à Casa Civil o veto parcial ao Projeto de Lei de Conversão (PLV) que trata do piso mínimo do frete para caminhoneiros, originado da Medida Provisória (MP) do Frete aprovada pelo Congresso Nacional no último dia 14 de julho. A pasta sugere a retirada de seis dispositivos do texto aprovado, incluindo o trecho que concede anistia às multas aplicadas a motoristas e transportadores de cargas durante os bloqueios em rodovias após o resultado das eleições de 2022, conforme documento ao qual a GloboNews teve acesso.

Na justificativa, o Ministério dos Transportes afirma que o dispositivo trata de matéria de anistia político-administrativa, sem relação com o piso mínimo do frete ou com o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). Quando o projeto foi aprovado pelos parlamentares, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), já havia antecipado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetaria esse trecho da proposta.

O parecer também recomenda o veto ao trecho que suaviza a aplicação de sanções aos caminhoneiros ao prever a conversão de autuações e infrações administrativas por excesso de peso em advertência. Outro ponto que a pasta pede para ser retirado é o dispositivo que permite à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) estabelecer pisos mínimos diferenciados para determinadas operações. Segundo o ofício encaminhado à Casa Civil, a medida poderia limitar a atuação regulatória da agência e elevar os custos das operações.

Outros vetos recomendados

O Ministério dos Transportes também recomenda o veto aos seguintes dispositivos: alteração da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para instituir um piso salarial nacional para motoristas; criação do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), voltado ao fomento da modernização, da eficiência logística, da segurança viária, da sustentabilidade ambiental, da renovação da frota, da qualificação profissional e do desenvolvimento do transporte rodoviário de cargas; alteração do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com normas sobre excesso de peso e uso de equipamentos de fiscalização de velocidade para autuação, entre outros pontos; e mudança nas regras da contribuição previdenciária do Transportador Autônomo de Cargas (TAC).

Nas justificativas, o Ministério dos Transportes sustenta que esses dispositivos não têm relação com o objeto do Projeto de Lei, que trata do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e da política de pisos mínimos do frete. A Casa Civil deve consolidar os pareceres dos demais ministérios envolvidos na análise.

O panorama político geral indica que a tramitação do PLV reflete tensões entre o Executivo e o Legislativo, especialmente em torno de temas sensíveis como anistia e regulação do transporte. A recomendação de veto sinaliza a busca por alinhamento com a política de transportes do governo, enquanto o Congresso tenta incluir pautas de interesse de categorias como os caminhoneiros. A decisão final da Casa Civil pode impactar diretamente o setor, que aguarda definições sobre custos operacionais e regras trabalhistas.

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