A modelo Yasmin Brunet relatou, nesta quinta-feira (26), que enfrentou uma crise aguda de lipedema após consumir glúten por duas semanas consecutivas, o que a levou a buscar tratamento emergencial para reduzir a inflamação. Em publicação nas redes sociais, a influenciadora afirmou que ‘fez tudo errado’ ao se descuidar da alimentação, expondo o corpo a alimentos que costuma evitar rigorosamente. O episódio reacende o debate sobre os impactos do glúten em condições inflamatórias crônicas, como o lipedema, doença que afeta milhões de brasileiras e que tem ganhado visibilidade nos últimos anos.
Segundo a própria Yasmin Brunet, o descuido ocorreu durante um período de viagem e lazer, quando ela abandonou temporariamente a dieta restritiva que segue para controlar o lipedema. ‘Comi glúten por duas semanas e meu corpo inflamou de uma forma que nunca vi. Tive que correr para o médico para fazer drenagem e tratamento anti-inflamatório emergencial’, escreveu a modelo, que é uma das vozes mais ativas na conscientização sobre a doença no Brasil. O lipedema é uma condição caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura nas pernas e braços, frequentemente associada a dores crônicas e inflamações, e que exige cuidados multidisciplinares, incluindo alimentação específica.
O que é o lipedema e por que o glúten é um gatilho
O lipedema atinge predominantemente mulheres — estima-se que cerca de 11% da população feminina mundial tenha algum grau da doença. No Brasil, a condição ainda é subdiagnosticada, mas tem ganhado atenção pública graças a relatos como o de Yasmin Brunet. Especialistas apontam que o glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio, pode desencadear respostas inflamatórias em pessoas predispostas, agravando os sintomas do lipedema. A nutricionista Dra. Carla Mendes, que acompanha casos de lipedema, explica: ‘O glúten não é o causador da doença, mas pode ser um potente gatilho inflamatório para quem já tem o quadro. A dieta anti-inflamatória é uma das principais ferramentas de manejo.’
A crise de Yasmin Brunet ocorre em um momento em que o debate sobre alimentação e saúde pública ganha força no Brasil. Dados do Ministério da Saúde indicam que doenças inflamatórias crônicas, como obesidade, diabetes e lipedema, estão entre as principais causas de morbidade no país. A modelo, que já participou de campanhas de conscientização sobre o lipedema, reforçou a importância de não subestimar os efeitos da alimentação: ‘Achei que podia relaxar um pouco, mas o corpo cobrou caro. Não vale a pena.’
Impacto na saúde pública e na conscientização
O relato de Yasmin Brunet não é isolado. Em 2024, a cantora Preta Gil também falou abertamente sobre sua luta contra o lipedema, contribuindo para que a doença saísse da invisibilidade. A Associação Brasileira de Lipedema (ABRAL) estima que mais de 10 milhões de brasileiras convivam com a condição, muitas sem diagnóstico ou tratamento adequado. ‘Casos como o da Yasmin são importantes porque mostram que o lipedema não é uma questão estética, mas uma doença que impacta a qualidade de vida e exige cuidados contínuos’, afirma a presidente da ABRAL, Dra. Fernanda Oliveira.
O episódio também levanta questões sobre o acesso a tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, o lipedema não é reconhecido como doença específica na Classificação Internacional de Doenças (CID) no Brasil, o que dificulta o acesso a terapias como drenagem linfática, fisioterapia e cirurgias. Projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional buscam incluir a condição na lista de doenças crônicas, garantindo cobertura integral pelo SUS. Enquanto isso, pacientes como Yasmin Brunet recorrem a tratamentos particulares, que podem custar entre R$ 500 e R$ 3 mil por sessão, dependendo da abordagem.
A modelo encerrou seu relato com um alerta: ‘Não cometam o mesmo erro. Cada corpo tem suas limitações, e respeitá-las é um ato de amor próprio.’ A fala ecoa entre especialistas e pacientes, que veem na conscientização o caminho para reduzir o estigma e ampliar o acesso a cuidados. Enquanto isso, o caso de Yasmin Brunet serve como um lembrete de que, mesmo para quem tem recursos e informação, a gestão de doenças crônicas exige disciplina constante — e que um deslize pode ter consequências graves.
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