Moraes suspende visitas de Flávio Bolsonaro ao pai e dá 48 horas para ex-presidente explicar ciência sobre carta divulgada

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu nesta segunda-feira (13) suspender as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu pai, que cumpre prisão domiciliar. A decisão ocorre após o senador ter lido uma carta escrita pelo pai em apoio à sua pré-candidatura, publicada posteriormente nas redes sociais, o que Moraes considerou descumprimento de decisão judicial e desvio de finalidade do direito de visita. Além disso, o ministro determinou um prazo de 48 horas para que a defesa de Bolsonaro esclareça se ele tinha ciência de que a carta seria divulgada.

A medida de Moraes, relator do processo de execução da pena de Bolsonaro, baseia-se no entendimento de que Flávio utilizou a visita para obter um documento com o objetivo exclusivo de publicá-lo nas redes sociais, burlando a proibição imposta ao pai. O ministro também destacou que houve reincidência, uma vez que conduta similar já havia ocorrido em agosto de 2025, o que na época motivou a decretação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. O episódio gerou reação imediata da oposição e até de aliados, motivando o Partido dos Trabalhadores (PT) a ingressar com uma representação no STF pedindo a revogação da prisão domiciliar de Bolsonaro, sob o argumento de que ele teria desrespeitado medidas cautelares impostas pela Corte.

Contexto da prisão domiciliar e crise no PL

Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar desde novembro do ano passado, cumprindo pena de 27 anos e três meses de prisão por ter sido considerado líder de uma organização criminosa que tentou dar um golpe de estado para mantê-lo no poder mesmo após a derrota nas eleições de 2022. A carta lida por Flávio ocorreu alguns dias depois de o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro trocarem acusações pelas redes sociais, em meio a uma crise familiar e política. Em meio à tensão, Michelle decidiu deixar a presidência do PL Mulher, com a renúncia acertada em reunião entre a ex-primeira-dama e o presidente nacional do PL. O cenário amplia o debate sobre os limites das medidas cautelares impostas a Bolsonaro e o impacto nas articulações políticas para as eleições de 2026.

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