Morte de Ana Paula em Maceió: Feminicídio com 63% do Corpo Queimado Reacende Debate sobre Violência Doméstica em Alagoas

Morreu neste sábado (4) a mulher de 43 anos que teve cerca de 63% do corpo queimado após ser atacada pelo marido na sexta-feira (26), no bairro Tabuleiro dos Martins, em Maceió. Ana Paula estava internada na UTI do Hospital Geral do Estado (HGE) e não resistiu às graves queimaduras, que a deixaram cega e com parte da língua arrancada. A informação da morte foi confirmada pela filha da vítima, Amanda Barbosa, que não detalhou a hora nem a causa do óbito. O suspeito, que não teve a identidade divulgada, foi preso em flagrante após tentar se passar por outra pessoa na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Tabuleiro dos Martins, onde buscou atendimento para queimaduras na perna direita.

O crime ocorreu em um contexto de violência doméstica que, segundo a Polícia Militar, foi motivado por ciúmes. Ana Paula foi arrastada pelo marido até uma área de mata, onde ele teria jogado combustível sobre a vítima e ateado fogo. As queimaduras atingiram 63% do corpo, conforme corrigido pela cirurgiã-médica Anna Lima, do Centro de Atendimento de Queimados (CAQ) do HGE, que retificou a informação inicial da PM, que apontava 90% de área queimada. A vítima perdeu os cabelos, ficou cega e teve parte da língua arrancada pelo agressor, em um ataque de extrema crueldade.

Panorama da Violência Doméstica em Alagoas

O caso de Ana Paula é mais um capítulo na alarmante estatística de feminicídios em Alagoas, estado que, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, registrou aumento de 12% nos casos de violência doméstica no primeiro semestre de 2026. A morte da vítima ocorre em meio a debates sobre a eficácia das medidas protetivas e a atuação das redes de apoio. A filha Amanda Barbosa relatou que a mãe já havia denunciado o agressor anteriormente, mas não obteve proteção suficiente. O suspeito, preso em flagrante, tentou ocultar a identidade ao dar entrada na UPA, mas foi reconhecido pela equipe médica, que acionou a polícia.

O Hospital Geral do Estado (HGE) informou que não pode divulgar detalhes sobre o estado de saúde da paciente durante a internação, mas confirmou que Ana Paula estava na UTI desde o dia 26 de junho. A Polícia Civil de Alagoas investiga o caso como tentativa de feminicídio, agora convertida em homicídio consumado. O agressor permanece preso e aguarda audiência de custódia. A tragédia reacende o alerta para a necessidade de políticas públicas mais efetivas, como a ampliação das casas-abrigo e o fortalecimento das patrulhas Maria da Penha, que atuam no monitoramento de agressores.

Em todo o Brasil, o ano de 2026 já registra mais de 800 feminicídios, segundo o Observatório da Mulher contra a Violência. Em Alagoas, a taxa de mortalidade de mulheres por violência doméstica é 30% superior à média nacional. O caso de Ana Paula ilustra a gravidade do problema: uma mulher de 43 anos, mãe, que teve o corpo queimado em 63%, perdeu a visão e parte da língua, e não resistiu aos ferimentos. A filha Amanda Barbosa pede justiça e cobra das autoridades uma investigação rigorosa. O crime, ocorrido no bairro Tabuleiro dos Martins, em Maceió, choca pela brutalidade e expõe as falhas do sistema de proteção à mulher.

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