Morte de jovem em Varginha: protesto cobra justiça e segurança em aplicativos de transporte

Familiares e amigos de Joice Batiston realizaram uma passeata no Centro de Varginha (MG), no domingo (28), para pedir justiça pela morte da jovem de 27 anos. Joice foi encontrada gravemente ferida na Avenida Perimetral, na noite de 19 de junho, após solicitar uma corrida por motocicleta de aplicativo para ir assistir ao jogo do Brasil com uma amiga. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. O motociclista Richard Ferreira Tristão, de 30 anos, suspeito de envolvimento no caso, permanece preso.

Com bexigas brancas, cartazes e um carro de som, os manifestantes percorreram as ruas do Centro para manter o caso em evidência e cobrar respostas sobre as circunstâncias da morte da jovem. A manifestação também cobrou melhorias na segurança da cidade e nos aplicativos de transporte. O protesto, registrado pelo fotógrafo Eduardo Marins da EPTV, reflete uma crescente preocupação com a segurança pública em Varginha, cidade que tem enfrentado desafios na infraestrutura urbana e na prevenção de crimes.

Saudade e busca por respostas

Emocionados, familiares lembraram da personalidade de Joice e do legado deixado por ela. “A Joice era uma menina doce, meiga, uma menina sonhadora, uma menina jovem, que tinha sonhos, tinha planos para o futuro. E o que ela deixa de legado para a gente é a alegria de viver, a alegria de estar com as pessoas que ela amava”, afirmou a vendedora Taissa Tamara Bastos. Mesmo após a prisão do suspeito, parentes afirmam que ainda aguardam o esclarecimento completo do caso. “Ainda não se sabe o que aconteceu. O que a gente está querendo muito é saber a verdade, o que realmente aconteceu”, disse Joferson Delfino Memberg de Oliveira, irmão de Joice.

Além do pedido por justiça, os participantes reivindicaram melhorias na Avenida Perimetral, onde Joice foi encontrada ferida. Eles cobraram a instalação de iluminação pública e câmeras de monitoramento, além de medidas para reforçar a segurança dos usuários de aplicativos de transporte. “Eu acho que eles podem ter um controle maior de quem entra e quem sai da empresa. Não é qualquer pessoa. Acho que verificar antecedentes criminais seria muito importante, porque a gente não sabe a procedência de cada ser humano”, afirmou a garçonete Ednalda Costa, ao defender um reforço nos critérios de segurança e de cadastro dos motoristas de aplicativos. Sobre a infraestrutura da avenida, Ednalda também apelou ao poder público. “Varginha merece. É uma cidade grande, uma cidade com recursos. A gente pede, encarecidamente, que as autoridades tomem posse disso e nos ajudem”, disse.

O caso de Joice Batiston reacende o debate sobre a segurança nos serviços de transporte por aplicativo e a infraestrutura urbana em cidades do interior de Minas Gerais. Em Varginha, a Avenida Perimetral é uma via de grande circulação, mas com pontos de pouca iluminação e ausência de monitoramento, o que tem gerado críticas de moradores. A morte da jovem também ecoa tragédias semelhantes em outras regiões do país, como o caso de Jovem morre após complicações pós-parto e família denuncia negligência em atendimento e Morte fetal em hospital do Sertão de Alagoas reacende crise na saúde pública regional, que expõem falhas sistêmicas na prestação de serviços públicos. Além disso, a investigação sobre o assassinato de Ezinho Construção, em Alagoinha, onde um vereador, sua esposa e um assessor foram presos, mostra como a violência e a impunidade afetam diferentes esferas da sociedade. A manifestação em Varginha é um grito por justiça e por mudanças estruturais que garantam a segurança de todos os cidadãos.

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