MPF denuncia dois agentes da PRF por morte de adolescente de 14 anos durante operação no Rio

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou dois agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) pela morte de Lorenzo Dias Palhinhas, de 14 anos, ocorrida durante uma operação no Rio de Janeiro em 2022. A denúncia, protocolada na última semana, aponta que os policiais agiram com excesso de força e desrespeito aos protocolos de segurança, resultando na morte do adolescente, que estava em um veículo com outros jovens. O caso reacende o debate sobre a violência policial contra adolescentes e a letalidade das operações no estado, que lidera rankings de mortes por intervenção estatal no Brasil.

De acordo com a denúncia do MPF, os agentes da PRF realizavam uma abordagem na Avenida Brasil, uma das principais vias de acesso à cidade, quando se depararam com um carro ocupado por quatro adolescentes. Os policiais alegaram ter ouvido disparos e, em resposta, efetuaram tiros contra o veículo. Lorenzo, que estava no banco traseiro, foi atingido na cabeça e morreu no local. Os outros três jovens, todos menores de idade, ficaram feridos e foram socorridos. O MPF, no entanto, sustenta que não houve justificativa para a ação letal, já que os adolescentes estavam desarmados e não representavam ameaça iminente.

Investigação e responsabilização

A investigação conduzida pelo MPF contou com laudos periciais que apontaram inconsistências na versão dos policiais. Testemunhas e imagens de câmeras de segurança indicam que os agentes atiraram sem que houvesse disparos partindo do veículo. A denúncia pede a condenação dos dois policiais por homicídio qualificado, com agravante de terem agido contra adolescente. O caso tramita na Justiça Federal do Rio de Janeiro, e os agentes, que estão afastados das funções, podem pegar penas de até 30 anos de prisão.

A morte de Lorenzo Dias Palhinhas ocorre em um contexto de crescente violência policial no estado. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que, em 2022, o Rio registrou 1.230 mortes por intervenção policial, a maioria de jovens negros e pobres. Organizações de direitos humanos, como o Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH), apontam que a letalidade policial é um problema estrutural, agravado pela falta de treinamento e pela cultura de impunidade. A denúncia do MPF é vista como um passo importante para a responsabilização, mas ativistas alertam que casos como o de Lorenzo são apenas a ponta do iceberg.

Panorama político e social

O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a atuação da PRF, que tem sido alvo de críticas por operações violentas em todo o país. Em 2023, a corporação foi investigada por uma série de abordagens que resultaram em mortes, especialmente em comunidades periféricas. O governo federal, por meio do Ministério da Justiça, anunciou a criação de um grupo de trabalho para revisar os protocolos de uso da força, mas as medidas ainda não foram implementadas. Enquanto isso, famílias como a de Lorenzo seguem cobrando justiça e o fim da violência estatal contra jovens.

A denúncia do MPF também ocorre em meio a um cenário de tensão entre os poderes. O Supremo Tribunal Federal (STF) tem julgado ações que buscam limitar a atuação policial em operações em comunidades, enquanto setores conservadores defendem maior autonomia para as forças de segurança. O caso de Lorenzo ilustra como a falta de controle pode levar a tragédias evitáveis. Para especialistas, a responsabilização criminal dos agentes é essencial, mas não suficiente: é preciso investir em políticas de prevenção e em um modelo de segurança pública que priorize a vida.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *