O Ministério Público Federal (MPF) denunciou os iranianos Nima Kenareifard e Saeid Sabouri por tráfico transnacional de drogas, após serem presos pela Polícia Civil em maio, em um galpão no bairro Vila Mathias, em Santos (SP), com 180 kg de cocaína. A droga, segundo as investigações, seria enviada para o Oriente Médio, especialmente Dubai. A Justiça Federal ainda não aceitou a denúncia e concedeu prazo de dez dias para a defesa se manifestar.
A dupla foi detida no imóvel onde Saeid mora, durante operação do 1º DP de Santos. De acordo com a polícia, o galpão era usado para esconder os entorpecentes, que seriam exportados em esquema sofisticado de tráfico internacional. As provas colhidas indicam que os iranianos integravam uma rede criminosa com ramificações no Brasil e no exterior.
Acusação e penas
A denúncia do MPF imputa a Nima Kenareifard e Saeid Sabouri os crimes de tráfico de drogas, agravado pelo contexto transnacional. Somadas, as penas podem chegar a até 25 anos de prisão. A defesa, representada pelo advogado Musslim Ronaldo Vaz de Oliveira, alega que se manifestará apenas após a decisão da Justiça sobre a aceitação da denúncia.
Nas últimas duas semanas, a Justiça Federal negou a soltura da dupla, após pedido liminar em habeas corpus. A juíza federal Sylvia Castro entendeu que a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e evitar risco de fuga, considerando insuficientes as medidas cautelares alternativas. Ambos permanecem presos preventivamente.
Versão dos acusados
Saeid Sabouri, de 52 anos, alegou que atuava no ramo de exportação de café e é investigado como um dos responsáveis pelo esquema. Já Nima Kenareifard, de 25 anos, disse ter sido contratado como intérprete pelo compatriota e negou envolvimento nos crimes. A defesa solicitou a revogação da prisão preventiva, argumentando que os investigados são primários, têm residência fixa e exercem atividade profissional lícita no Brasil, além de não haver elementos concretos que indiquem risco de fuga ou reiteração criminosa.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações duraram meses, com campanas no imóvel por três dias antes da abordagem, que ocorreu na terça-feira. A operação foi conduzida pelo 1º DP de Santos, que monitorava o esquema de tráfico internacional.
O caso ganha relevância no panorama político e criminal brasileiro, ao expor a atuação de redes transnacionais de narcotráfico que utilizam o litoral paulista como rota de escoamento para drogas destinadas ao Oriente Médio. A operação também destaca a cooperação entre forças policiais e o Judiciário no combate ao crime organizado, em um contexto de crescente preocupação com o tráfico de drogas e suas conexões internacionais.
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