MPF questiona legalidade de operação contra comércio ilegal na orla do Rio e pede suspensão imediata

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação judicial pedindo a suspensão imediata da operação contra o comércio ilegal na orla do Rio de Janeiro, promovida pela prefeitura da cidade. A ação alega que o programa Tolerância Zero, implementado pela gestão municipal, não teve diálogo prévio com a União e a sociedade civil, resultando em violação de direitos de trabalhadores ambulantes e em possível conflito de competências entre os entes federativos.

De acordo com a petição do MPF, a operação de fiscalização e repressão ao comércio não autorizado na orla carioca foi desencadeada sem a devida articulação com órgãos federais, como a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), que detém a gestão de áreas de praia e calçadões. A ausência de diálogo, segundo o órgão ministerial, compromete a legalidade das ações e expõe os ambulantes a medidas arbitrárias, como apreensão de mercadorias e remoção forçada de pontos de venda.

A ação do MPF destaca que a orla do Rio de Janeiro é um espaço de uso comum do povo, sob administração federal, e que qualquer intervenção deve respeitar as normas de concessão e permissão de uso. O programa Tolerância Zero, lançado pela prefeitura, prevê multas e apreensões para quem comercializa produtos sem licença, mas o MPF argumenta que a medida não considerou a situação de vulnerabilidade de muitos ambulantes, que dependem do comércio informal para sobreviver.

Panorama político e jurídico

O caso insere-se em um contexto mais amplo de tensão entre os poderes municipal e federal, especialmente em relação à gestão de espaços públicos. A prefeitura do Rio, sob comando de Eduardo Paes (PSD), defende a operação como necessária para coibir a desordem urbana e a concorrência desleal com o comércio formal. No entanto, o MPF aponta que a falta de planejamento e de consulta à União pode configurar abuso de poder e violação ao princípio da legalidade.

O pedido de suspensão da operação foi protocolado na Justiça Federal e, se acatado, poderá paralisar as ações de fiscalização na orla até que haja um acordo entre as partes. O MPF também solicita que a prefeitura apresente um plano de regularização para os ambulantes, com prazos e critérios claros, em vez de adotar medidas punitivas de forma imediata.

A decisão judicial terá impacto direto sobre milhares de trabalhadores informais que atuam nas praias do Rio, como vendedores de água, coco, óculos escuros e artesanato. Além disso, o caso reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas integradas para o comércio de rua, que envolvam os governos federal, estadual e municipal, bem como representantes da sociedade civil.

Enquanto aguarda o julgamento, a prefeitura do Rio mantém a operação em andamento, mas o MPF alerta que a continuidade das ações pode gerar novos conflitos e prejuízos aos direitos dos trabalhadores. A expectativa é que a Justiça se manifeste nos próximos dias, definindo o rumo da fiscalização na orla carioca.

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