Mulher denuncia agressão de policiais do Bope durante festa no Benedito Bentes; SSP e PM abrem investigação

Uma mulher denunciou ter sido agredida por policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) durante uma festa no bairro Benedito Bentes, em Maceió, na noite do último sábado. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) e a Polícia Militar (PM) de Alagoas informaram que abriram investigação para apurar o caso. A vítima relatou ter sofrido violência física e psicológica durante a abordagem, em meio a um evento público que reunia centenas de pessoas na região.

De acordo com o relato da denunciante, os agentes do Bope teriam agido com excesso de força ao intervir em uma confusão durante a festa. Ela afirma que foi imobilizada, arrastada e agredida com socos e chutes, mesmo sem oferecer resistência. A mulher também alega ter sido insultada e ameaçada pelos policiais, que estariam sem identificação visível no momento da ação. A SSP, por meio de nota, afirmou que “determinou a abertura de procedimento administrativo para apurar os fatos” e que “a Corregedoria da PM também instaurou sindicância para investigar a conduta dos militares envolvidos”.

Panorama político e social

O caso ocorre em um contexto de crescente tensão entre forças de segurança e comunidades periféricas em Alagoas. O Benedito Bentes, um dos maiores bairros de Maceió, tem histórico de conflitos com a polícia, especialmente durante operações em áreas de vulnerabilidade social. A denúncia reacende o debate sobre abuso de autoridade e violência policial no estado, que já registrou outras ocorrências semelhantes nos últimos meses. Em 2024, ao menos três casos de agressão por agentes de segurança foram denunciados à Ouvidoria da SSP, mas poucos resultaram em punição efetiva.

A Polícia Militar, por sua vez, defendeu a atuação do Bope, afirmando que a equipe agiu “dentro dos protocolos operacionais” e que a abordagem foi necessária para conter uma “situação de risco iminente”. No entanto, a versão da vítima contrasta com a de testemunhas que estavam no local e que, em depoimento informal, corroboraram a denúncia de agressão desproporcional. A SSP e a PM prometem transparência na investigação, mas organizações de direitos humanos, como a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL), já pedem abertura de inquérito civil e criminal contra os policiais envolvidos.

O episódio também levanta questões sobre a segurança em eventos públicos e a relação entre a polícia e a população jovem do Benedito Bentes. Líderes comunitários locais criticam a “criminalização da periferia” e cobram políticas de prevenção à violência que não se baseiem apenas em repressão. Enquanto isso, a mulher agredida busca apoio jurídico e psicológico, e o caso deve ser acompanhado pelo Ministério Público Estadual (MP-AL), que pode requisitar imagens de câmeras de segurança e depoimentos de outras vítimas.

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