Mulher denuncia ex-companheiro e é atacada com ácido ao sair de delegacia na Bahia

Uma mulher de 43 anos foi atacada com ácido após sair de uma delegacia, onde havia ido denunciar o ex-companheiro, na noite de terça-feira (8), em Santo Antônio de Jesus, no recôncavo da Bahia. O suspeito, de 36 anos, não aceitava o fim do relacionamento e foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio. Segundo a Polícia Civil da Bahia, a vítima foi encaminhada a uma unidade de saúde com queimaduras graves, e o estado de saúde dela não foi divulgado até o fechamento desta edição.

O ataque ocorreu minutos depois de a mulher registrar a ocorrência contra o ex-companheiro, o que levanta questionamentos sobre a eficácia das medidas protetivas e a segurança oferecida às vítimas de violência doméstica. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2023, o Brasil registrou 1.463 feminicídios, uma média de quatro por dia. Na Bahia, o número de casos cresceu 12% em relação ao ano anterior, com 124 mortes. O uso de ácido como arma de ataque, embora menos comum, tem se tornado uma modalidade recorrente de violência extrema, especialmente em situações de vingança por término de relacionamento.

O caso de Santo Antônio de Jesus expõe uma fragilidade estrutural no sistema de proteção: a falta de acompanhamento imediato após a denúncia. Especialistas em segurança pública ouvidos pela reportagem apontam que, muitas vezes, as delegacias não dispõem de protocolos para garantir a integridade física da vítima logo após o registro da ocorrência, especialmente quando o agressor está em liberdade. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que investiga as circunstâncias do ataque e que o suspeito foi autuado em flagrante e encaminhado ao sistema prisional.

O cenário nacional de violência contra a mulher segue alarmante. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídios, com uma taxa de 4,8 mortes por 100 mil mulheres. Apenas em 2024, até agosto, o Ministério da Justiça e Segurança Pública registrou 1.200 tentativas de feminicídio, um aumento de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. A Bahia, por sua vez, concentra 9% dos casos de violência doméstica do país, com destaque para o recôncavo baiano, onde a taxa de homicídios femininos é 30% superior à média estadual.

O ataque com ácido, classificado como crime hediondo pela legislação brasileira, pode resultar em pena de 12 a 30 anos de reclusão para o agressor, além de multa. A vítima, que não teve o nome divulgado para preservar sua identidade, segue internada em estado grave. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Santo Antônio de Jesus abriu inquérito para apurar o caso e reforçou a importância de medidas protetivas mais rigorosas, como o uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores e a criação de rotas de fuga seguras para vítimas em situação de risco iminente.

O episódio também reacende o debate sobre a necessidade de campanhas de conscientização e de investimentos em políticas públicas de prevenção. A Organização das Nações Unidas (ONU) classifica a violência contra a mulher como uma pandemia global, e o Brasil é signatário de tratados internacionais que preveem a eliminação de todas as formas de discriminação e violência de gênero. No entanto, a implementação dessas diretrizes ainda enfrenta obstáculos, como a falta de recursos para a capacitação de policiais e a subnotificação de casos.

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