A nova Lei do Frete, sancionada esta semana, transforma em regras permanentes medidas que vinham sendo aplicadas desde março para reforçar a fiscalização do transporte rodoviário de cargas no Brasil. A legislação consolida a obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), mecanismo que registra as operações de frete e permite maior controle sobre o cumprimento das normas do setor. A medida, que antes tinha caráter provisório, agora ganha status de lei permanente, trazendo segurança jurídica e previsibilidade para caminhoneiros, transportadoras e embarcadores.
O Ciot, que já era exigido em operações de frete, passa a ser obrigatório de forma definitiva, o que deve ampliar a capacidade do poder público de rastrear e auditar as transações. Com isso, espera-se reduzir irregularidades como o não pagamento de valores devidos aos motoristas e a sonegação de informações. A nova lei também alinha o Brasil a práticas mais modernas de gestão logística, em um momento em que o setor enfrenta desafios como o aumento dos custos operacionais e a necessidade de maior eficiência.
Impacto no dia a dia do transporte de cargas
Para os caminhoneiros autônomos, a principal mudança é a garantia de que as operações serão formalizadas por meio do Ciot, o que facilita a comprovação de vínculo e o acesso a direitos trabalhistas e previdenciários. Já para as transportadoras, a lei impõe a necessidade de adequação de sistemas de gestão para emitir e armazenar os códigos, sob pena de sanções. Especialistas apontam que a medida pode reduzir a informalidade no setor, que historicamente sofre com a falta de registro de parte das operações.
A sanção ocorre em um contexto de tensões no setor, que já protagonizou paralisações e negociações com o governo federal. A nova legislação é vista como uma resposta a demandas antigas da categoria, que cobra maior transparência e fiscalização. No entanto, entidades do setor alertam para a necessidade de infraestrutura adequada para a implementação, especialmente em regiões mais remotas, onde o acesso à internet e a sistemas digitais ainda é limitado.
Panorama político e perspectivas
A aprovação da lei ocorre em meio a um cenário político conturbado, com discussões sobre outras pautas que afetam diretamente o transporte e a logística no país. Medidas como a sanção de MPs que reforçam a fiscalização da tabela do frete e o debate sobre concessões ferroviárias mostram que o governo busca equilibrar interesses de diferentes setores. Enquanto isso, o Senado analisa projetos que podem impactar a vida dos brasileiros, como a proibição da obrigatoriedade de vacinas, e a Petrobras anunciou reajuste no preço da gasolina, com promessa de subsídio para conter o impacto.
A nova Lei do Frete, portanto, chega em um momento de transformações no setor, que também enfrenta desafios externos, como a crise no Estreito de Hormuz, que ameaça a safra brasileira e desestabiliza o comércio global. A expectativa é que a legislação traga mais estabilidade e confiança para investimentos, mas sua efetividade dependerá da capacidade de fiscalização e da adesão dos envolvidos. O próximo passo é a regulamentação da lei, que deve detalhar procedimentos e prazos para a adaptação das empresas.
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