Novas mensagens indicam que banqueiro Vorcaro priorizou pagamentos a filme sobre Bolsonaro após pressão de Flávio

Mensagens obtidas pelo Intercept e confirmadas pela TV Globo revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro tratou como prioridade os pagamentos ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após pedido direto do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As conversas, ocorridas em janeiro de 2025, indicam que Vorcaro chegou a desembolsar R$ 61 milhões para a produção, enquanto negociava com o filho mais velho do ex-presidente. O empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi preso em março pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, que investiga crimes de ameaça, lavagem de dinheiro, corrupção e invasão de dispositivos informáticos conduzidos por uma suposta organização criminosa.

As conversas, divulgadas pelo Intercept nesta terça-feira (2) e confirmadas pela TV Globo, mostram que Vorcaro e Zettel discutiram um cronograma de pagamentos para o filme. Em uma troca de mensagens, Zettel relata a Vorcaro ter 55,5 milhões em pagamentos pendentes, sem especificar se em reais ou dólares. O primeiro aporte deveria ser feito, segundo outra mensagem, entre Thiago Miranda e Vorcaro, no dia 20 de janeiro daquele ano. “Cara, hoje é a data limite daquele primeiro aporte filme. Preciso acelerar. Estamos no laço”, diz o empresário ao banqueiro. “Vou atrás aqui”, responde Vorcaro.

Miranda afirma, ainda de acordo com o Intercept, que já havia falado com Zettel, escalado por Vorcaro para operacionalizar parte dos pagamentos, e encaminha ao banqueiro uma captura de tela de uma conversa com Flávio Bolsonaro. Segundo o Intercept, na mensagem reproduzida, cuja data não é possível confirmar, Flávio pede que Miranda pressione o jurídico do investidor para destravar a operação. Nos dias seguintes, Vorcaro demonstra interesse em acompanhar de perto a situação. Em 21 de janeiro, Zettel volta a procurar o banqueiro pedindo orientação. “Me dá um norte? Mesmo que seja ‘não faz porra nenhuma até eu voltar’…”, escreve Zettel. “Vamos fazer tudo. Dá quanto”, questiona Vorcaro. “Total = 55,5M”, informa Zettel. Zettel então questiona: “Manda quanto? Paga o que?”. “O filme ta nesse negocio? Avisa todo mundo que vai na sexta tudo”, diz Vorcaro. “Não. Porque o fluxo é gigante… 10 de 2.5 de dólares”, responde Zettel.

Panorama político e judicial

O caso ocorre em um contexto de intensa movimentação política e judicial no Brasil. Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, enfrenta investigações sobre supostas irregularidades financeiras, enquanto a Operação Compliance Zero aprofunda a apuração de crimes financeiros e de corrupção envolvendo figuras do alto empresariado e do entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro. A revelação das mensagens levanta questionamentos sobre a influência de agentes políticos sobre o setor financeiro e a transparência de financiamentos a produções que exaltam figuras públicas. A Polícia Federal e o Ministério Público devem analisar se os pagamentos configuram lavagem de dinheiro ou ocultação de patrimônio. Até o momento, nem Vorcaro, nem Flávio Bolsonaro se manifestaram oficialmente sobre o conteúdo das conversas.

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