Número de mortos em terremotos na Venezuela sobe para 4.490; crise humanitária se aprofunda

O número de mortos em decorrência dos terremotos que atingiram a Venezuela nas últimas semanas subiu para 4.490, conforme novo balanço oficial divulgado neste domingo (26). As regiões mais castigadas foram a capital, Caracas, e o estado litorâneo de La Guaira, onde os abalos causaram destruição em larga escala e deixaram milhares de desabrigados. O governo venezuelano, em parceria com agências internacionais, enfrenta o desafio de coordenar resgates e distribuir ajuda humanitária em meio a uma infraestrutura já fragilizada pela crise econômica e política que assola o país.

Os terremotos, que ocorreram em uma sequência de abalos de magnitude entre 6,8 e 7,2 na escala Richter, devastaram bairros inteiros em Caracas, especialmente nas zonas de Petare e El Valle, onde edifícios antigos desabaram e encostas deslizaram, soterrando centenas de pessoas. Em La Guaira, o colapso de portos e rodovias isolou comunidades costeiras, dificultando o acesso de equipes de socorro. Dados preliminares indicam que mais de 12 mil pessoas ficaram feridas e aproximadamente 300 mil perderam suas moradias, elevando a pressão sobre abrigos improvisados e sistemas de saúde pública já sobrecarregados.

A tragédia natural se insere em um contexto de crise humanitária prolongada na Venezuela, marcada por escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis, além de uma inflação galopante que ultrapassa 1.000% ao ano. Organizações como a Cruz Vermelha e a Organização das Nações Unidas (ONU) alertam que o número de mortos pode aumentar nas próximas semanas devido a ferimentos não tratados, doenças transmitidas pela água e desnutrição entre os desabrigados. O governo do presidente Nicolás Maduro declarou estado de emergência em sete estados, incluindo Miranda, Vargas e Aragua, e solicitou apoio internacional, enquanto a oposição critica a lentidão na resposta e a falta de transparência nos dados oficiais.

Panorama político e ajuda internacional

A crise sísmica acirra as tensões políticas na Venezuela, com acusações mútuas entre governo e oposição sobre a gestão da catástrofe. Enquanto o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) atribui a dimensão da tragédia a sanções internacionais que limitam a capacidade de importação de equipamentos de resgate, a coalizão opositora Plataforma Unitária denuncia a corrupção e a má administração de recursos que deixaram a infraestrutura do país vulnerável a desastres naturais. A Assembleia Nacional, de maioria opositora, convocou uma sessão extraordinária para investigar a alocação de verbas emergenciais e cobrar maior transparência do Executivo.

No plano regional, o Brasil anunciou uma nova etapa de ajuda humanitária, com o envio de 50 toneladas de alimentos, medicamentos e tendas, além de equipes de busca e salvamento da Defesa Civil. A Colômbia e o Chile também mobilizaram recursos, enquanto a União Europeia liberou 10 milhões de euros em assistência emergencial. A Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou uma reunião de chanceleres para coordenar esforços e discutir a criação de um fundo de reconstrução. No entanto, a desconfiança entre o governo venezuelano e parte da comunidade internacional, devido a alegações de violações de direitos humanos e falta de independência judicial, dificulta a implementação de uma resposta unificada.

Enquanto as equipes de resgate continuam a vasculhar os escombros em busca de sobreviventes, a população enfrenta o agravamento da crise humanitária, com relatos de saques e protestos em áreas mais afetadas. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alerta para o risco de surtos de cólera e dengue nos abrigos superlotados, e a UNICEF estima que mais de 200 mil crianças estão desabrigadas ou separadas de suas famílias. A tragédia expõe as fragilidades de um país que, mesmo antes dos terremotos, já enfrentava uma das piores crises humanitárias do mundo, e coloca em xeque a capacidade das instituições locais e da cooperação internacional para responder a desastres em larga escala.

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