O número de mortos provocado pelos terremotos que atingiram a Venezuela subiu para 2.595, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (2) pelo governo venezuelano. Além das vítimas fatais, mais de 11 mil pessoas ficaram feridas, e a tragédia já afeta diretamente mais de 26 mil pessoas, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU). Os sismos, ocorridos na noite de 24 de junho, foram os mais fortes registrados no país em mais de um século e deixaram um rastro de destruição na região norte, incluindo a capital Caracas e cidades vizinhas.
Em entrevista coletiva, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que 189 edifícios desabaram completamente e que quase todos os servidores públicos do estado de La Guaira morreram nos terremotos. Segundo ela, cerca de 4 mil agentes foram mobilizados logo após os tremores para atuar no socorro às vítimas. Rodríguez também anunciou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial ofereceram ajuda financeira e linhas de crédito para apoiar a reconstrução das áreas devastadas. O governo criará, em parceria com o FMI, um fundo de US$ 200 milhões destinado à reconstrução de moradias destruídas, com recursos repassados a empresas responsáveis pelas obras.
Busca por sobreviventes e crise humanitária
As autoridades venezuelanas e as equipes de apoio estrangeiras seguem à procura de pessoas soterradas pelos escombros. Os trabalhos contam com o apoio de equipes especializadas de 31 países, entre eles o Brasil, que enviaram bombeiros e profissionais treinados para atuar nas operações de resgate. Diante da escassez de mão de obra e equipamentos, muitos venezuelanos têm ajudado nas buscas manualmente. Especialistas em resposta a desastres afirmam que as primeiras 48 a 72 horas são decisivas para localizar sobreviventes; após esse período, as operações costumam se concentrar na retirada de corpos.
A emergência humanitária se agrava com a falta de alimentos e teto para dezenas de milhares de pessoas que permanecem nas ruas. No estado de La Guaira, o mais devastado, há escassez de recursos básicos. O governo venezuelano não atualizou o número de feridos no último pronunciamento, mas balanço anterior, de quarta-feira (1º), apontava mais de 11 mil feridos. A tragédia expõe a fragilidade da infraestrutura do país e a necessidade de uma resposta coordenada da comunidade internacional.
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