A Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL) resolveu dar uma aula sobre o papel da imprensa — literalmente. A entidade promove um evento para discutir a responsabilidade dos jornalistas no exato momento em que responde a uma ação civil pública que questiona o patrocínio de R$ 400 mil pago pela prefeitura de Maceió ao São João da OAB, uma festa de caráter privado. A ação foi movida pelo Ministério Público e ainda aguarda julgamento de mérito.
Enquanto isso, o pré-candidato ao governo de Alagoas, João Henrique Caldas (JHC), que já foi alvo de críticas por seu histórico de censura à imprensa, ganha destaque no debate. Em meio à discussão sobre liberdade de expressão, a OAB/AL tenta desviar o foco do próprio envolvimento em um caso de uso de dinheiro público. A ironia não passa despercebida: a entidade que deveria defender a ética agora tenta ensinar jornalistas a fazer seu trabalho.
O caso ganha ainda mais relevância em um momento em que o TSE investiga supostas redes de perfis financiados para atacar políticos, como Flávio Bolsonaro. A discussão sobre a atuação da imprensa e os limites do financiamento público está mais viva do que nunca, e a OAB/AL parece querer se posicionar como guardiã da verdade — mesmo com um processo pendente contra si.
O próximo passo esperado é o julgamento do mérito da ação, que pode obrigar a OAB/AL a devolver os R$ 400 mil aos cofres públicos. Enquanto isso, a entidade tenta se blindar com um discurso de defesa da imprensa, mas o histórico de JHC e a própria situação da OAB/AL mostram que, na prática, a liberdade de expressão ainda é um campo de batalha em Alagoas.
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