Um relatório da Polícia Federal revelou que a NG Engenharia, empresa acusada de pagar propina ao secretário de Saúde de Alagoas, venceu uma licitação de R$ 20 milhões para obras no Hospital Regional de Palmeira dos Índios em um processo concluído em apenas 48 horas. A agilidade incomum na contratação levanta suspeitas de favorecimento e acende alertas sobre a transparência dos gastos públicos na saúde do estado, em meio a um cenário de investigações que já miram outros contratos e agentes políticos.
De acordo com o documento da PF, a licitação foi aberta e encerrada em dois dias úteis, com a NG Engenharia sendo a única participante e vencedora. O valor do contrato, de R$ 20 milhões, corresponde a uma reforma e ampliação do hospital, unidade estratégica para a região do Agreste alagoano. A celeridade do processo contrasta com prazos médios de licitações públicas, que costumam levar semanas ou meses, e ocorre justamente enquanto a empresa é alvo de apuração por suposto pagamento de propina ao secretário de Saúde do estado, cujo nome não foi revelado no relatório.
A investigação da PF, que faz parte de um inquérito mais amplo sobre desvios na saúde pública alagoana, aponta que a NG Engenharia teria repassado valores ilícitos para garantir contratos vantajosos. O caso do Hospital Regional de Palmeira dos Índios é um dos exemplos citados, mas há indícios de que outras obras e serviços também podem ter sido direcionados. A empresa, que já prestou serviços para prefeituras e órgãos estaduais, nega as acusações e afirma que todas as suas contratações seguiram a legalidade.
Panorama político e repercussões
O episódio ocorre em um momento de tensão política em Alagoas, onde investigações da PF e do Ministério Público têm mirado contratos da saúde, área que consome parcela significativa do orçamento estadual. A celeridade da licitação para o hospital de Palmeira dos Índios levanta questionamentos sobre a fiscalização dos processos licitatórios e a possível influência de agentes públicos na escolha de fornecedores. Especialistas em administração pública ouvidos pela reportagem destacam que prazos tão curtos são atípicos e podem indicar direcionamento, especialmente quando há apenas uma empresa participante.
A Secretaria de Saúde de Alagoas, por meio de nota, informou que a licitação seguiu todos os trâmites legais e que o prazo reduzido se justificou pela urgência da obra, necessária para ampliar o atendimento na região. No entanto, a PF continua a investigar se houve conluio entre a NG Engenharia e servidores públicos para acelerar o processo e garantir o contrato milionário. O caso ganha contornos ainda mais graves diante da crise de infraestrutura hospitalar no estado, que enfrenta superlotação e falta de leitos.
A sociedade civil e entidades de controle, como o Observatório Social do Brasil, cobram maior transparência e abertura de investigações independentes. Enquanto isso, a NG Engenharia segue operando e participando de novas licitações, o que acende o alerta para a necessidade de revisão dos mecanismos de fiscalização. O desfecho do inquérito da PF pode trazer à tona novas conexões entre o setor privado e o poder público, impactando diretamente a gestão da saúde em Alagoas e a confiança da população nas instituições.
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