Óculos inteligentes viram ferramenta de assédio virtual contra mulheres, aponta estudo

Uma análise conduzida entre 2023 e 2026 com 350 vídeos revelou que 60% das interações registradas por óculos inteligentes contra mulheres se enquadram como assédio virtual. O estudo, divulgado pelo portal Tribuna do Sertão, acende o alerta para o uso crescente da tecnologia como instrumento de violência de gênero.

Os dispositivos, que permitem gravação discreta e transmissão ao vivo, têm sido usados para filmar mulheres sem consentimento em espaços públicos e privados. Em muitos casos, as imagens são compartilhadas em grupos online, ampliando o alcance do constrangimento e da exposição não autorizada.

Pesquisadores apontam que a facilidade de uso e a dificuldade de detecção dos aparelhos tornam o problema ainda mais grave. As vítimas, muitas vezes, só descobrem a gravação quando o conteúdo já circula na internet, o que dificulta a denúncia e a responsabilização dos agressores.

O estudo reforça a necessidade de políticas públicas específicas para coibir o uso criminoso da tecnologia, além de campanhas de conscientização sobre o respeito à privacidade. Especialistas defendem que a legislação precisa acompanhar a evolução dos dispositivos para garantir proteção efetiva às mulheres.

A expectativa é que o debate ganhe espaço no Congresso e nas assembleias estaduais, com propostas que criminalizem de forma mais clara o assédio virtual por meio de dispositivos vestíveis. Enquanto isso, organizações de defesa dos direitos das mulheres recomendam atenção redobrada e orientam vítimas a registrarem boletim de ocorrência ao menor sinal de violação.

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