OIT alerta: El Niño pode derrubar empregos e renda na América Latina

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) acendeu o sinal de alerta: o El Niño pode ter efeitos devastadores sobre o emprego e a renda na América Latina. O fenômeno climático, que altera padrões de chuva e temperatura, tende a atingir setores como agricultura, construção e turismo, justamente os que mais geram postos de trabalho na região.

O impacto não deve ser uniforme. Países com economias mais dependentes do agronegócio, como Brasil e Argentina, podem sentir a queda na produção e, consequentemente, nas contratações. Já na América Central, a seca prolongada tende a afetar pequenos produtores, que muitas vezes vivem da subsistência. A OIT reforça que os mais vulneráveis serão os trabalhadores informais, sem rede de proteção.

O cenário acende um debate sobre políticas públicas de adaptação. Especialistas apontam que investimentos em infraestrutura resiliente e diversificação econômica são urgentes para mitigar os danos. Enquanto isso, governos da região precisam se preparar para um possível aumento no desemprego e na precarização das condições de trabalho.

Para o Brasil, o alerta chega em meio a discussões sobre a reforma da Previdência, que propõe idade mínima de 67 anos e mudanças no MEI, como forma de equilibrar as contas públicas. A combinação de choque climático com ajuste fiscal pode pressionar ainda mais o mercado de trabalho, exigindo respostas rápidas e coordenadas entre os poderes.

O próximo passo esperado é que os países da região apresentem planos de contingência para proteger os trabalhadores mais expostos. A OIT deve monitorar os efeitos do fenômeno nos próximos meses, mas a pressão por ações concretas já começa a crescer entre sindicatos e movimentos sociais.

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