Dos oito partidos com mais assentos na Câmara dos Deputados, o MDB e o União Brasil criaram mecanismos para incentivar as candidaturas femininas e para fiscalizar as prestações de contas das campanhas, após casos de fraude à cota de gênero nas eleições de 2020. A medida, anunciada em julho de 2026, reflete uma reação direta a irregularidades que comprometeram a representatividade feminina e a lisura do processo eleitoral.
Os mecanismos incluem a criação de comitês internos de monitoramento, auditorias independentes nas contas de campanha e a exigência de comprovação de atividade política efetiva das candidatas. A iniciativa surge após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar, em agosto de 2024, a fraude na cota de gênero do partido Cidadania nas eleições de 2020, conforme reportagem da Folha de S.Paulo. O caso gerou repercussão e pressionou as legendas a adotarem medidas preventivas.
Panorama político e impacto
No cenário político brasileiro, a cota de gênero exige que os partípios destinem ao menos 30% das candidaturas a mulheres, mas a prática de candidaturas fictícias — conhecidas como ‘candidatas laranjas’ — tem sido alvo de investigações e punições. A criação desses mecanismos pelos partidos com maior bancada na Câmara sinaliza uma tentativa de restaurar a credibilidade do sistema e garantir que os recursos públicos destinados às campanhas femininas sejam efetivamente utilizados.
Além do MDB e União Brasil, outras legendas entre as oito maiores também anunciaram medidas similares, embora os detalhes específicos ainda não tenham sido divulgados integralmente. A fiscalização abrange desde a verificação de gastos até a comprovação de atividades de campanha, como reuniões e eventos, para evitar que as candidatas sejam apenas nomes na lista eleitoral.
Especialistas apontam que a iniciativa pode reduzir as fraudes, mas alertam que a eficácia dependerá da transparência dos processos e da atuação dos órgãos de controle. A medida também pode influenciar as eleições municipais de 2028, ao estabelecer um padrão mais rigoroso de prestação de contas. O TSE, por sua vez, mantém a fiscalização sobre as cotas, e a expectativa é que os partidos que não se adequarem enfrentem sanções, como multas e inelegibilidade de candidatos.
Fonte: ver noticia original

